Atenção! O texto a seguir contém spoilers da sétima temporada de The Walking Dead.

O primeiro ato da guerra contra os Salvadores foi um tremendo desastre, grande parte devido a traição de Jadis (Pollyanna McIntosh) em um momento crucial. Se não fosse a aparição surpresa do Reino, a situação de Rick (Andrew Lincoln) e seus aliados teria ficado muito pior. O sacrifício de Sasha (Sonequa Martin-Green) tinha que significar alguma coisa e rapidamente os sobreviventes de Alexandria, Hilltop e Reino organizam uma retaliação. No capítulo de estreia, acompanhamos a execução do primeiro ato do ataque, cujo alvo principal era o Santuário. Surpreendendo Negan (Jeffrey Dean Morgan) e seus capangas, a sede da organização é atingida por uma grande quantidade de tiros e uma multidão de zumbis é atraída para a área. 

A segunda parte do plano envolvia um ataque quase simultâneo aos postos avançados dos Salvadores. Confrontos acontecem e baixas são registradas dos dois lados. Embora nem tudo ocorra como o esperado, Negan sai enfraquecido do embate, mas é lógico que ele não ia deixar barato. Os confrontos entre os grupos é um evento recorrente no oitavo ano de The Walking Dead, mais do que nunca as ações precisam ser pensadas previamente e com calma. Se o antagonista agora tem a mente brilhante de Eugene (Josh McDermitt) ao seu lado, mal sabe ele que Dwight (Austin Amelio), um dos seus principais homens, está colaborando com os inimigos. 

A verdade é que Rick vira uma grande pedra no sapato de Negan. Parece que quanto mais o grupo instalado em Alexandria é atacado, mais força de reação eles encontram. As mortes traumáticas no começo da temporada passada e os fatos subsequentes fizeram com que uma aliança bem-sucedida entre comunidades antes controladas pelos Salvadores fosse firmada. Juntos, Alexandria, Hilltop e o Reino já são fortes, mas com o apoio do pessoal do lixão e de Oceanside as coisas poderiam ser um pouco mais fáceis. A grande questão é: você confiaria em alguém que te traiu recentemente? Nesse mundo não é fácil encontrar pessoas para lutar ao seu lado, então os problemas do passado precisam ser deixados para trás.

Negan passa então a viver um grande dilema: se as pessoas são um recurso, como lidar com grupos tão audaciosos? Matar todos seria uma solução simples, mas o líder dos Salvadores precisa que eles estejam vivos e trabalhem para ele, afinal, existem muitas bocas para serem alimentadas no Santuário. Fato é que suas atitudes começam a não ser tão bem recebidas por alguns de seus aliados e ações isoladas podem comprometer a unidade do grupo.

O desastre do sétimo ano parece não ter causado um grande impacto nos roteiristas, já que mais uma vez temos episódios que não empolgam nem mesmo nos momentos de ação. A impressão que fica é que as pessoas envolvidas na produção da série não sabem mais o que fazer com os dezesseis episódios da temporada. O resultado não podia ser outro, vários capítulos deixam muito a desejar. Se olharmos para o passado, a série da AMC sempre teve alguns episódios com desenvolvimento lento, mas os eventos ulteriores acabavam compensando isso, algo que pelo segundo ano seguido não aconteceu. A queda constante de audiência deixa bem claro que o público está insatisfeito com os rumos que o drama pós-apocalíptico vem tomando.

De saldo positivo, temos o retorno de questões morais no enredo. Tudo começa com uma atitude de Jesus no segundo episódio, mas a verdadeira mudança acontece com os pensamentos externados em cartas por um dos personagens principais antes de sua morte. Curiosamente, é a partir desse ponto que a atração consegue entregar episódios um pouco melhores e parte dos personagens começam a pensar em como serão as coisas depois que a guerra acabar. O fato de Negan ter revelado detalhes sobre o seu passado também foi interessante, da mesma forma que o maior tempo de tela dado a Simon (Steven Ogg), Dwight e Jadis contribuiu para o desenvolvimento de cada um. Por outro lado, muitos dos personagens principais têm participações muito tímidas. Não posso deixar de mencionar a mudança de perspectiva que temos de Eugene a cada novo evento retratado.


Considerações finais
Acredito que assim como eu, a grande maioria das pessoas que ainda acompanham The Walking Dead vão concordar que a série está longe dos seus melhores momentos. Temos uma leve melhora na segunda parte da temporada, mas o desfecho apresentado acabou desagradando parte do público. De qualquer forma, o que é retratado no final se encaixa bem com a proposta que foi trabalhada ao longo do oitavo ano, há uma ligação entre o primeiro e o último capítulo que só agora faz sentido. Claramente tivemos o encerramento de um arco, resta saber quais serão as consequências que o ato praticado por Rick desencadeará no futuro.

Apesar de não criar grandes expectativas para a nona temporada, confesso que estou curioso para descobrir qual será o papel que Georgie (Jayne Atkinson) exercerá perante os sobreviventes e o que significa aquele helicóptero que apareceu mais de uma vez. É hora da equipe de produção olhar para o passado, identificar os erros e tomar cuidado para que eles não sejam novamente cometidos, caso contrário o declínio da série será acentuado ainda mais.

Nota
★★★☆☆ - 3 - Bom


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