Rick é um velho cientista beberrão que decide ir morar com sua filha Beth, seu genro Jerry, e seus netos Summer e Morty. Contextualizando melhor os personagens, Beth é uma cirurgiã cardíaca de cavalos e Jerry é um agente de propaganda não tão bem-sucedido em sua carreira. Summer é uma jovem de 17 anos e Morty um adolescente de 14 anos.

Na garagem da casa, Rick montou seu laboratório, onde cria suas invenções bizarras e realiza diversos experimentos. Rick também é responsável por arrastar Morty para aventuras intergaláticas insanas, o que compromete desempenho e presença do seu neto na escola, bem como algumas noites de sono do garoto. Na realidade, Rick não é muito adepto do método tradicional de ensino: ele acredita que Morty aprenderá muito mais enquanto estiver envolvido com ele, do que frequentar aulas em uma escola. O problema é que Morty, que não é lá tão inteligente...

Logo no primeiro episódio, Rick "sequestra" Morty na escola para ajudá-lo a coletar algumas sementes na dimensão 35C, uma linha temporal evolutiva diferente da que eles vivem. No meio da expedição, Morty acaba caindo de um precipício e quebra as duas pernas. Para ajudar o neto, Rick desloca-se até uma dimensão no futuro, com medicina tão avançada que há soro para perna quebrada em todas as farmácias. Sim, esta é a pegada do desenho - coisas insanas e viajadas que formam uma lógica dentro da atração.

Mais do que um desenho cheio de referências da cultura pop, Rick and Morty é uma animação inteligente. No terceiro episódio da primeira temporada, descobrimos que Rick criou um parque de diversões dentro do corpo de um mendigo. Os amantes de biologia/anatomia certamente acharão o episódio o máximo e conseguirão compreender melhor cada acontecimento do episódio. As demais pessoas também conseguirão acompanhar todos os acontecimentos, já que o desenho é bem claro e objetivo em passar sua versão dos fatos. Entretanto, quando se tem um conhecimento maior sobre o que é abordado, a experiência se torna muito mais satisfatória.

Algo que é bem legal em Rick and Morty é o fator imprevisibilidade: você nunca sabe o que irá acontecer nas próximas cenas da animação. Outro fator interessante é que os acontecimentos de alguns episódios gerarão  consequências para sempre na história da animação. Apesar de tudo parecer mistura psicodélica de ideias, o desenho retrata inúmeras situações vividas por seres humanos do dia-a-dia, indo desde temais mais simples até pedofilia. As críticas sociais estão ali para quem quiser ver.


Considerações finais
Para uma primeira temporada, Rick and Morty conseguiu deixar bem clara qual é a sua proposta. Com personagens bem construídos e com personalidades completamente distintas, a série encanta pelo seu dinamismo e criatividade em contar sua história. Se de um lado temos Rick, um sujeito sério e seco, do outro lado temos Morty, um adolescente que se fascina com os pequenos detalhes dos  inúmeros mundos existentes nas outras dimensões: uma dupla perfeita para viver incríveis jornadas interdimensionais.

Como estamos falando de uma animação, a parte visual tem um papel importantíssimo. Rick and Morty é um desenho alegre e colorido, e traçado dos seus personagens torna a animação única, não sendo semelhante a outras animações do mesmo gênero. Os arrotos de Rick, por mais que irritem algumas pessoas (não é o meu caso), são outro detalhe marcante animação: o próprio desenho brinca com isso seu décimo episódio. Recomendo Rick and Morty para quem gosta de animações adultas. Ah, um último detalhe: em quase todos os episódios existem cenas pós créditos.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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