Irmandade é a mais nova série brasileira da Netflix. A atração retrata o surgimento de uma organização criminosa dentro de um presídio localizado na cidade de Itapeva, em São Paulo, durante a década de 1990. A facção em questão é comanda por Edson (Seu Jorge), que já coleciona 20 anos atrás das grades. Preso por porte de drogas quando ainda era jovem, ele cometeu vários crimes dentro da prisão, alongando assim a sua pena. Revoltado com a forma com que os presos eram tratados dentro da Penitenciária Coronel Roberto Tibiriçá, Edson consegue formar uma união entre os boa parte dos presos do local e funda a "Irmandade". Dentre os objetivos da organização está a luta contra a opressão e a tortura.

A história da série começa quando Cristina (Naruna Costa) decide sacrificar seu própria emprego para tentar salvar a vida de seu irmão. Para contextualizar, Cristina é irmã de Edson e trabalha no Ministério Público; ela não vê Edson desde que ele foi preso. Ao tomar conhecimento de que Edson estava sendo torturado dentro da penitenciária, Cristina pede para sua chefe, a promotora de justiça, instaurar uma sindicância. Com a negativa da promotora, Cristina decide falsificar a assinatura de sua chefe e vai até a penitenciária comunicar ao diretor o "pedido" da promotoria para realizar uma inspeção no local e instaurar uma sindicância.

Como já era de se imaginar, a atitude de Cristina é descoberta e ela acaba sendo presa por estelionato, falsificação ideológica e falsificação de documento público. Andrade (Danilo Grangheia), investigador da polícia que está disposto colocar um fim na facção criminosa, resolve fazer uma proposta para Cristina: ela poderá permanecer em liberdade se o ajudar a acabar com a "Irmandade". Cristina, que sempre teve uma vida correta, agora será obrigada a infiltrar-se na facção criminosa para tentar derrubá-la.

Como Cristina é formada em Direito, Andrade sugere que ela se torne advogada da facção. Seu principal papel na operação será descobrir o paradeiro do Carniça (Pedro Wagneras), um dos membros da "Irmandade" que fugiu há um ano. Segundo o próprio Andrade, Edson e Carniça passaram a ter alguns desentendimentos recentemente. Ao ir ao presídio para fazer uma visita ao seu irmão, Cristina consegue se tornar uma das advogadas da facção. Seu primeiro trabalho e tentar de colocar Ivan (Lee Tayloras) e Formiga (Leonardo Fernandesas) em liberdade.

Assim que os dois integrantes da "Irmandade" são libertados, Cristina vai, aos poucos, ganhando a confiança dos membros da facção, o que, consequentemente, faz com que ela cada vez mais tenha participação na organização criminosa. Mesmo sem ter nenhuma experiência no mundo do crime, no seu primeiro encontro com Carniça ela é obrigada a dirigir um carro para garantir a fuga do bandido após uma ação da polícia

Outra personagem com grande poder dentro da organização criminosa é Darlene (Hermila Guedes), mulher de Edson, com quem ela tem uma filha. É ela que foi atrás de Cristina pra informar que Edson estava sendo torturado na cadeira. Darlene constantemente visita Edsion na prisão, sendo responsável por fazer a comunicação direta do chefe com a facção. Com os planos da facção sendo descoberto pela polícia, eles suspeitam que há um informante entre eles. Conseguir o apoio e a confiança de Darlene, nesse momento, será essencial para que Cristina consiga sobreviver naquele ambiente.


Considerações finais
Criada e dirigida por Pedro Morelli, Irmandade é a prova que o Brasil consegue sim fazer séries de TV de alto padrão. Com uma história bem escrita, boa direção de arte e boa performance dos atores, a nova série brasileira da Netflix merece elogios. A atração é composta por oito capítulos, dos quais os quatro primeiros servem como uma espécie de introdução e explicação da narrativa, enquanto os quatro restantes guardam os melhores momentos da série.

Além de retratar alguns dos problemas enfrentados nas penitenciárias brasileiras na década de 1990, Irmandade apresenta uma excelente contextualização de época, que vão desde os cenários até os mínimos detalhes. Com músicas dos Racionais MC's dominando os episódios, a atração aborda fatos marcantes do ano de 1994, como a morte de Ayrton Senna, a progressão do Brasil na Copa do Mundo e as ações de Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda.

O ponto central da série está nas ações que Cristina precisa tomar ao longo da história. Sem fazer qualquer tipo de juízo de valor, é perceptível que a personagem acabou entrando em um beco sem saída. Ingênua e inexperiente, a personagem acaba sofrendo uma transformação (talvez um pouco rápida demais) durante a narrativa da história. O final deixa um gancho para uma eventual segunda temporada. Resta aguardar se a Netflix vai optar por dar sequência à atração.

Nota
★★★★☆ - 4