A Alemanha nazista cada vez mais aumentava o seu domínio na Europa e os Aliados não tinham ideia de como iam parar sua expansão pelo continente. Na época, o exército alemão utilizava uma máquina, chamada enigma, para proteger suas comunicações militares. As mensagens podiam ser facilmente captadas por torres de rádio, mas as potências aliadas não conseguiam descobrir qual era o seu teor. Como a Alemanha alterava todos os dias as configurações da enigma, os ingleses tinham apenas algumas horas para tentar quebrar o código que protegia as mensagens daquele dia. Todo o trabalho feito era completamente descartado no dia seguinte, devido as novas configurações de criptografia das mensagens.

Para tentar quebrar o código de guerra inimigo, o governo britânico decidiu montar uma equipe ultrassecreta, dentre os quais estava o matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch), hoje considerado o pai da computação. A narrativa de O Jogo da Imitação (no original, The Imitation Game) tem como ponto central esse grupo e seus trabalhos para tentar decifrar o código da enigma. Alan não era muito sociável e preferia trabalhar sozinho; o matemático acreditava que as demais pessoas o atrasariam, já que ele teria que perder tempo para explicar todo o seu raciocínio. Vendo que o trabalho humano não estava surtindo efeito, Alan começa a trabalhar em um projeto ousado: criar uma máquina para decifrar outra máquina.

Demorou um pouco para Alan conseguir ter uma certa autonomia e formar sua própria equipe. Quando ele conseguiu assumir uma posição de controle na divisão, Alan e seu time criaram uma palavra cruzada que foi amplamente divulgada em jornais britânicos. Aqueles que conseguissem completá-la em um curto período, passavam por uma seleção interna, composta por um outro teste, e poderiam ter a chance de compor o time que lutava para quebrar a criptografia da enigma. Durante essa seleção é que Alan conheceu Joan Clarke (Keira Knightley, luminosa), a única mulher a fazer parte da equipe. Isto consequentemente acabou limitando a atuação de Clarke, o que fez com que ela e Alan tivessem encontros fora do ambiente de trabalho para trocarem ideias.

Apesar de estar liderando o projeto, Alan sofria pressão para entregar uma resposta para o exército britânico o mais rápido possível; o governo basicamente não queria investir mais no projeto que até então não tinha apresentado nenhum tipo de retorno. Como se isso não bastasse, as suspeitas sobre Alan ser um comunista infiltrado quase fizeram com que o plano de encurtar a guerra em aproximadamente dois anos e salvar a vida de milhares de pessoas fosse por água abaixo. De fato, havia um informante de Moscou no grupo e sua participação acaba sendo explicada no final do longa. Fato é que o apoio de Joan Clarke, Hugh Alexander (Matthew Goode) e Stewart Menzies (Mark Strong) foram fundamentais para o sucesso do projeto.

Quebrar a criptografia da Enigma não era tudo, o grupo ainda tinha que construir uma estratégia para combater o exército alemão sem que eles soubessem que estavam tendo suas comunicações interceptadas. Caso contrário, se houvesse alguma desconfiança dos nazistas, eles fariam alterações no seu sistema de comunicação, o que inviabilizaria qualquer tipo de planejamento por parte dos Aliados.

Mesmo com toda a importância que teve para o desfecho da segunda guerra mundial, seu feito acabou sendo esquecido por décadas pelo fato do matemático ser homossexual, temática que também é abordada em O Jogo da Imitação. Naquela época, a homossexualidade era considerada crime na Inglaterra, o que levou Alan a passar por uma castração química com hormônios femininos. Um pedido oficial de desculpas por parte do governo britânico só veio em 2009. Quatro anos depois, Turing recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II.


Considerações finais
Dirigido pelo cineasta norueguês Morten Tyldum e com roteiro de Graham Moore, O Jogo da Imitação foi baseado no livro Alan Turing: The Enigma, de Andrew Hodges. Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, o filme consegue criar muito bem toda a tensão vivida pelos aliados durante a segunda guerra mundial. Muito embora não conte com cenas nos campos de batalha, o filme transmite muito bem toda a tristeza enfrentada pelas pessoas durante esse período sombrio da nossa história.

O roteiro conta três linhas temporais, mostrando Alan no colégio, na equipe secreta formada pelo governo britânico, e sua vida no pós-guerra. Benedict Cumberbatch acerta em cheio na atuação, conseguindo desempenhar muito bem a complexidade do personagem por ele interpretado. A direção do filme é muito bem executada e o trabalho de ambientação de época é impressionante. É uma boa oportunidade para conhecer um pouco da história do matemático que encontrou a forma de vencer o exército de Hitler e entrou para a história devido a sua genialidade.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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