Atenção! O texto a seguir contém spoilers da primeira temporada de The Leftovers.

Enquanto o primeiro ano de The Leftovers foi inteiramente baseado no livro de Tom Perrotta, que segue envolvido com a série, na segunda temporada Damon Lindelof e os demais roteiristas tiveram uma liberdade criativa muito maior para ditar os rumos da história. É perceptível que desta vez a série tem mais a cara de Lindelof e guarda algumas semelhanças com o seu trabalho anterior, Lost.

A temporada inicia com uma cena do passado, onde uma mulher desconhecida é vista com um bebê. Posteriormente, no presente, somos apresentados a vários novos personagens. No início até parece ser uma série antológica, mas na parte final do episódio de estreia os rostos que já conhecemos começam a aparecer na história. Em uma primeira vista tudo é um pouco estranho, mas os novos indivíduos são introduzidos de uma forma bem natural, não é necessário ter um grande conhecimento sobre suas vidas para acompanhar a história do segundo ano, afinal, o mistério faz parte de The Leftovers desde a sua estreia.

Há um intervalo de aproximadamente um ano entre os acontecimentos da primeira e segunda temporada. Com boa parte dos personagens tentando um recomeço longe de Mapleton, a trama desta vez é quase inteiramente centrada na cidade de Jarden, no Texas. No dia 14 de outubro de 2011, quando 2% da população mundial desapareceu, nenhum sumiço foi registrado em Jarden, razão pela qual a região ficou conhecida como Parque "Milagre" ("Miracle", no original). Matt Jamison (Christopher Eccleston) e sua esposa, Mary (Janel Moloney), foram os primeiros a se mudar para o local, graças a um trabalho missionário. Posteriormente, Nora Durst (Carrie Coon) compra uma casa em Milagre e se muda para a região junto com Kevin (Justin Theroux), Jill (Margaret Qualley) e o bebê que foi encontrado na porta da casa de Kevin.

Ao chegar na nova residência, o policial e os demais são convidados para um churrasco de aniversário na casa da família Murphy, seus novos vizinhos. Lá, eles são recepcionados por John (Kevin Carroll), sua esposa, Erika (Regina King), e seus filhos, Evie (Jasmin Savoy Brown) e Michael (Jovan Adepo). Como os Murphy não possuem amigos, não havia ninguém de fora na confraternização. A festinha de aniversário dura pouco tempo, já que Evie sofre um ataque de epilepsia. A filha de John e Erika ganha novamente atenção quando, misteriosamente, desaparece junto com duas amigas. O sumiço das três garotas gera uma grande mobilização na população local, que sem muitas pistas tenta descobrir o que pode ter acontecido com elas.

Como não foi atingido pela partida repentina, o Parque Milagre chama a atenção de pessoas do mundo todo. Sendo amplamente visitado por turistas, as autoridades locais precisaram criar um rígido controle dos que entram e saem da região. Próximo a ponte de acesso, existe um acampamento onde estão aglomeradas várias pessoas que não conseguiram ter acesso ao Parque. Uma bandeira brasileira estendida em um dos trailers indica que ali existem compatriotas. Apesar de John dizer que milagres não acontecem em Miracle, Kevin e Matt testemunham eventos inexplicáveis, sobre os quais não darei maiores detalhes para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu a temporada.

Kevin tinha esperanças que ao abandonar Mapleton Patti Levin (Ann Dowd) o deixaria em paz, o que não acontece. O policial ainda vê e conversa com a ex-líder dos Remanescentes Culpados (RC) e vive uma verdadeira provação para tentar se livrar dela, vide o incrível sétimo episódio. Kevin também continua sofrendo apagões e se metendo em situações inusitadas. Sua ex-mulher, Laurie (Amy Brenneman), abandonou o culto e, com o auxílio de seu filho Tom (Chris Zylka) e sua experiência como terapeuta, tenta encorajar outras pessoas a fazer o mesmo. Os Remanescentes Culpados perderam muito espaço de tela, mas nem por isso deixaram de ser importantes para a trama. Assim como na primeira temporada, os RC possuem uma grande importância no desfecho do segundo ano de The Leftovers.


Considerações finais
Novamente composta por dez episódios, The Leftovers se mostra muito mais madura. Apresentando ao público uma história mais profunda e intimista, a série da HBO entrega uma das melhores experiências de ficção científica dos últimos anos. Referências e simbolismos estão espalhados por toda a temporada, a começar pela nova abertura, que agora tem como música tema "Let the Mystery Be", da cantora Iris Dement - a letra da faixa tem tudo a ver com a temática da narrativa, vale a pena ver a tradução.

Se tem algo que eu gostaria de destacar é a elevada carga emocional e os inúmeros diálogos marcantes. Tudo isso exige muito mais trabalho dos atores, que novamente nos brindam com excelentes atuações. A conversa que Erika tem com Nora, no final do sexto episódio, é um dos melhores momentos do segundo ano. Direção e fotografia mais uma vez entregam belíssimas cenas, com destaque para as transições dinâmicas temáticas. A trilha sonora é marcante e ganha espaço em momentos adequados.

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente


Veja mais sobre The Leftovers:
└ Análise da série The Leftovers (1ª temporada)
└ Análise da série The Leftovers (3ª temporada)

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