Elite começou com uma proposta muito semelhante àquela que foi utilizada pela série How to Get Away with Murder, misturando assassinato e com uma disputa por um troféu que simbolizava o aluno com melhor desempenho da sala, ainda que o ambiente escolar fosse completamente diferente nas duas séries. Na segunda temporada, a série espanhola da Netflix modificou um pouco sua proposta e a trama girou em torno do desaparecimento de um dos alunos da classe. Agora Elite resgata a fórmula utilizada na primeira temporada e novamente tem como o grande mistério a morte de um de seus personagens principais.

Desta vez os alunos de Las Encinas estão no último ano escolar, com grande parte deles já pensando em como será sua vida na faculdade. Logo no episódio de estreia descobrimos que a vítima da temporada é o Polo (Álvaro Rico) e que a situação envolvendo sua morte acontece justamente no baile de formatura da turma. Como de costume, flashforwards revelam detalhes do dia em que ocorreu o fato, mas só somos capazes de entender tudo assistindo o episódio final. O desfecho de toda essa história pode não ser o melhor de todos, mas definitivamente supera aquilo que foi criado para a morte de Marina na temporada de estreia.

Falando na Marina, o seu assassinato até hoje segue gerando repercussão entre os estudantes, principalmente para Guzmán (Miguel Bernardeau) e Samuel (Itzan Escamilla), que foram os que sofreram as maiores consequências. Enquanto ambos precisam viver com a amargura, Samuel ainda precisa lidar com problemas familiares decorrentes dessa situação. Após ser liberado da prisão por ausência de provas para condená-lo, Polo tenta retomar sua vida e se envolve novamente em um triângulo amoroso, desta vez com Cayetana (Georgina Amorós) e Valerio (Jorge López), de onde recebe todo o apoio para seguir em frente. Durante toda a temporada, Polo sofre fortes pressões psicológicas, algo que o ator Álvaro Rico conseguiu transmitir bem nas telas, causando uma intervenção de suas mães no colégio. Polo acaba sendo isolado pela turma e sua presença, em qualquer lugar, incomoda grande parte de seus colegas.

A série ganha um tom mais dramático quando Ander (Arón Piper) descobre que está com leucemia. Tentando esconder a realidade de sua família e amigos no início, Ander se vê obrigado a enfrentar a enfermidade e inicia o tratamento, apesar de ter um pensamento extremamente pessimista. Ele recebe grande apoio dos amigos durante o todo o processo, enquanto o seu namorado toma algumas escolhas questionáveis (o que de certa forma vai contra toda a evolução que Omar (Omar Ayuso) teve na segunda temporada). O "troca troca" entre os personagens e os relacionamentos frágeis e de aparência são um dos principais problemas desta temporada.

Temos outras subtramas interessantes, como a prisão da mãe de Rebeca (Claudia Salas), os problemas familiares enfrentados por Lucrecia (Danna Paola) e Carla (Ester Expósito), com destaque para a "aventura" de pelo mundo das drogas desta última. Dois novos personagens entram para o elenco, mas suas adições se mostram completamente destemperadas: Yeray (Sergio Momo) e Malick (Leïti Sené) assumem papéis secundários e de pouco destaque, tornando boa parte de suas ações completamente desnecessárias. O saldo positivo das tramas entre os personagens é a aproximação entre Lucrecia e Nadia (Mina El Hammani): Lucrecia, que nas temporadas anteriores servia quase como uma antagonista, sofre uma grande evolução e toma ações surpreendentes; a competição entre as duas personagens ganha um outro tom e se torna algo bem mais maduro.

Devido ao sucesso da série, é de se esperar que a Netflix, no futuro, lance uma quarta temporada. Informações divulgadas na internet sugerem que a plataforma de streaming já renovou a série para mais duas temporadas, mas ainda não houve nenhum anúncio oficial. Os criadores da atração, Carlos Montero e Darío Madrona, apresentaram um desfecho conclusivo para a história introduzida nesta temporada, ao mesmo tempo que deixaram um grande gancho para a sua continuação, algo que ainda não tinha sido utilizado de forma tão profunda como foi agora. A série, no entanto, precisa deixar de ter uma história tão superficial e apostar em algo um pouco mais maduro, afinal, a atração não é mais protagonizada por adolescentes de 16 anos. Outro fato que merece atenção é o desgaste da fórmula dos interrogatórios policiais, que é idêntica desde a estreia de Elite.


Considerações finais
Ao longo destas três temporadas, Elite se mostrou ser uma série no estilo montanha russa, cheia de altos e baixos. Se por um lado a atração apresenta evoluções em alguns quesitos, em outros observamos uma queda. É inegável que a atração lidou melhor com os flashforwards nessa terceira temporada, mas a pecou por apresentar histórias extremamente superficiais e relacionamentos fracos entre seus personagens. O desfecho da história principal mais uma vez não chega a ser algo mega elaborado, mas é melhor do que o que foi apresentado nos anos anteriores. Um detalhe interessante é o fato de os títulos dos oito episódios sugerirem para o espectador qual ou quais personagens terão um destaque maior no capítulo que ele irá começar a ver.

Enquanto a segunda temporada introduziu personagens que realmente ganharam destaque na história, as adições deste terceiro ano se mostram completamente dispensáveis, já que nenhum deles apresentou grandes importância para a trama. Sim, existe uma história por trás dos dois novos nomes que afetam alguns personagens, como Carla, Omar e Nadia, mas nada se comparado ao que foi feito com a introdução de Rebeca, Valerio e Cayetana. Direção e fotografia seguem entregando trabalhos satisfatórios, enquanto o nível de atuação melhorou. Diante do desfecho que foi apresentado, é provável na sua sequência a série sofrerá grandes transformações. Sigo na expectativa para que a atração apresente histórias mais maduras e complexas.

Nota
★★★☆☆ - 3 - Bom


Veja mais sobre Elite:
└ Análise da série Elite (1ª temporada)
└ Análise da série Elite (2ª temporada)

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