Na reta final da primeira temporada, descobrimos que a CIA não tinha de fato colocado um fim no programa Utrax, agora controlado por John Carmichael (Dermot Mulroney). Nem mesmo Marissa Wiegler (Mireille Enos), que chegou a liderar a operação, sabia que a agência estadunidense tinha reiniciado o projeto depois de o ter encerrado "oficialmente". Esse fato certamente não foi bem recebido por Marissa e acabou servindo como um pontapé inicial para que ela repensasse algumas de suas ações: se antes tinha embarcado em uma perseguição frenética contra Hanna (Esme Creed-Miles), seu comportamento com a garota passa a ser completamente diferente. A ação de Marissa no encerramento da temporada passada era um indicativo de que as coisas não permaneceriam mais da forma como estavam estabelecidas.

Depois de fugirem, Hanna e Clara (Yasmin Monet Prince) estão vivendo escondidas em uma floresta romena. Para sobreviver, elas caçam e furtam algumas propriedades localizadas na redondeza. Hanna aproveita e ensina algumas coisas para Clara, já que ela nunca havia deixado as instalações do programa da CIA. Mesmo estando em um ambiente em que Hanna está bastante habituada, as duas acabam sendo surpreendidas por um drone que estava atrás de vestígios delas. Embora o plano fosse para que elas permanecem juntas, a curiosidade de Clara para conhecer sua mãe acaba fazendo ela ser capturada.

Paralelamente a esses acontecimentos, acompanhamos a transferência das cadetes para um local chamado de The Meadows, localizado na Inglaterra. The Meadows é basicamente uma nova fase de preparação para as garotas, visando prepará-las para o mundo real e possibilitar que elas sejam utilizadas futuramente em missões da agência de inteligência. As meninas deixam de ser identificadas por um número e pela primeira vez ganham um nome. Elas também receberam um livro com uma história ficcional sobre suas vidas. Enquanto Jules (Gianna Kiehl) desconfia das informações que lhe foram entregues, Sandy (Áine Rose Daly) leva tudo muito a sério, sofrendo inclusive com os problemas enfrentados por sua suposta família.

Cada cadete tem acesso a um notebook, por onde podem fazer contato com seus familiares. Quem fica do outro lado da tela respondendo todas as mensagens é Terri Miller (Cherrelle Skeete), que embarcou nesse projeto depois de receber uma promoção. Ela própria foi pega de surpresa ao descobrir que não poderia manter contato com sua família nos EUA durante o período em que estaria trabalhando em The Meadows. Talvez por não estar diretamente ligada à operação Utrax, percebemos que Miller de fato parece se importar com as garotas. A sua última ação no desfecho da temporada é a prova que o seu lado humano às vezes fala mais alto do que o seu dever profissional.

Estando novamente sozinha, a única pessoa com que Hanna pode contar é Marissa. Sabendo que seria monitorada pela CIA, Marissa encontra formas para se encontrar com Hanna e tentar dar a ela uma nova vida, longe de toda essa loucura. Apesar das boas intenções, Hanna ainda desconfia de algumas ações de Marissa. A jovem basicamente abre mão de tudo o que lhe foi oferecido para embarcar em um plano extremamente ousado para retirar Clara de The Meadows. Sem saber sequer onde a amiga estava, Hanna se expõe e corre riscos, além de complicar ainda mais a situação de Marissa, que já estava totalmente desprestigiada no seu emprego.

Na primeira temporada minhas maiores queixas foram o fato da série tornar sua história muito superficial em certos aspectos: as coisas aconteciam com um grau de facilidade não condizentes com realidade (ainda que estejamos diante uma série de ficção científica). Isso foi amenizado na segunda temporada, o que ao meu ver foi um ponto positivo. Por outro lado, o enredo da série se tornou maçante e repetitivo, o que é uma pena. Temos um bom episódio de estreia, seguido por alguns episódios medianos; somente na reta final da temporada é que temos, de fato, capítulos empolgantes. A narrativa se apoia muito na relação de amizade de Clara e Hanna, mas não consegue apresentar grandes variações nesse campo, comprometendo e enredo como um todo.


Considerações finais
Depois de concluir a segunda temporada de Hanna, chego à conclusão que a série evoluiu em alguns aspectos, mas regrediu em outros. No geral, a trama apresentada na segunda temporada ficou abaixo daquela que vimos no ano de estreia do seriado. Para uma atração com apenas oito episódios por temporada, os roteiristas parecem ter pedido a mão na hora de retratar certos eventos, causando um desenvolvimento lento da trama, principalmente na primeira metade da temporada: gasta-se muito tempo explorando questões que no final não apresentam grande relevância.

Sendo novamente é ambientada em vários países, a direção e fotografia conseguiu valorizar muito bem os ambientes que foram utilizados para as gravações. As cenas de ação, embora presentes com menor intensidade, continuam muito bem executadas. O elenco, que passou por uma pequena renovação, entrega boas atuações. No fim, fica evidente que os maiores problemas da atração estão ligados ao seu enredo, que apesar dos equívocos, ainda conseguiu entregar um bom desfecho de temporada. Criada por David Farr, Hanna apresenta uma premissa interessante, mas até então vem falhado em parte de sua execução.

Nota
★★★☆☆ - 3 - Bom


Veja mais sobre Hanna:
└ Análise da série Hanna (1ª temporada)

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