Aos nove anos de idade, Elizabeth Harmon perdeu a mãe em um acidente de carro. Como o pai era uma pessoa ausente em sua vida, ela acabou sendo enviada para uma instituição que acolhe órfãos. De sua família biológica, Beth guarda apenas algumas lembranças. Logo no começo da história, chama atenção o fato do orfanato distribuir pílulas tranquilizantes, chamadas de vitaminas pelos funcionários, para aqueles que lá vivem. A protagonista da minissérie, que é interpretada pelas atrizes Annabeth Kelly, Isla Johnston e Anya Taylor-Joy, vai aos poucos compreendendo os efeitos das pílulas verdes, ao mesmo tempo em que começa a se tornar dependente delas. Quando o governo proíbe o uso do medicamento em crianças, Elizabeth precisa lidar com a abstinência. O destino, no entanto, fará com que a protagonista tenha contato com o remédio em outro momento de sua vida.

Um dia, quando foi até o porão para limpar o apagador de sua professora, Beth encontrou o zelador, Sr. Shaibel (Bill Camp), jogando xadrez sozinho. Atentamente, ela observou os movimentos que ele fazia com as peças do tabuleiro. À noite, antes de ir dormir, a garota imaginava as jogadas no teto do seu quarto. Ao contrário das outras meninas, Beth não vê muita graça nas atividades diárias do orfanato; o jogo de tabuleiro, até então desconhecido, lhe chamava muito mais a atenção. Depois de muito insistir, o zelador decide mostrá-la como jogar xadrez e passa a ensiná-la algumas jogadas. Elizabeth rapidamente entende o espírito do jogo e impressiona o Sr. Shaibel. Suas habilidades também chamam a atenção do professor de um clube de xadrez, principalmente quando a protagonista derrota toda a equipe de xadrez de uma escola local. Quando Elisabeth parecia estar encontrando algo que lhe trazia prazer, ela acaba sendo proibida de jogar depois de praticar uma ação inusitada no orfanato.

Alguns anos se passaram e Beth, agora adolescente, é adotada pelo casal Allston (Patrick Kennedy) e Alma Wheatley (Marielle Heller). Os primeiros contatos com sua nova família são bem estranhos: sua presença parece incomodar seu pai, e a mãe tem problemas com álcool. O casal havia perdido um filho recentemente e o casamento parecia não estar mais dando certo. Financeiramente, a família também não está nos seus melhores dias: como Allston fica dias fora de casa por conta do serviço, o dinheiro que Alma tem é quase que contado para ela e a filha passarem a semana. Com isso, Alma compra  roupas em promoção para a Beth, fazendo a filha ser alvo de chacota na escola.

Ao ir comprar cigarro para a mãe, a protagonista descobre, em uma revista, que haverá campeonatos de xadrez em diversas localidades dos EUA. Sem dinheiro e sem apoio da mãe, Elisabeth decide escrever uma carta para o Sr. Shaibel, que lhe envia uma quantia suficiente para fazer a inscrição. Como era de se esperar, Beth derrota todos os oponentes e vence o campeonato. Quando Alma percebe que seria possível ganhar dinheiro com o jogo, ela começa a dar total apoio para a filha participar de mais campeonatos. As duas então começam a desenvolver uma relação bacana, que acaba ganhando pitadas de afeto e amor com o passar do tempo.

A partir de então, passamos a acompanhar a genialidade de Beth nas competições. Em um universo completamente dominado por homens, a presença de uma garota prodígio acaba chamando bastante atenção. Cada vitória deixa Elisabeth mais conhecida e, consequentemente, temida por seus oponentes. Com o sucesso nos campeonatos, o estudo acaba ficando em segundo plano. Colecionando uma série de êxitos em sequência, Beth tem uma enorme autoconfiança em si mesma, o que torna seu primeiro tropeço algo difícil de ser digerido. Para alguém que tinha feito apenas uma amizade no orfanato, a protagonista acaba virando amiga de alguns de seus oponentes derrotados.

Contando com uma excelente ambientação de época, O Gambito da Rainha (no original, The Queen's Gambit) mostra o seu alto nível de qualidade já nos primeiros minutos. O capítulo inicial, com quase uma hora de duração, retrata uma história extremamente interessante, cujo final me deixou muito curioso para descobrir o que aconteceria na sequência. A escolha das três atrizes que interpretam a protagonista foi muito bem feita, ao ponto da  Beth criança (já no orfanato) lembrar muito suas versões jovem e adulta. Mesmo que você não saiba nem o básico do jogo, a atração consegue transmitir bem para o público toda a magia envolta nos campeonatos de xadrez.


Considerações finais
Baseada no livro homônimo escrito por Walter Tevis, a minissérie criada por Scott Frank e Allan Scott nos apresenta a história empolgante de uma jovem órfã que se torna uma das maiores jogadoras profissionais de xadrez do mundo, ao mesmo tempo em que precisa saber lidar com seus vícios. Retratando a infância, adolescência e parte da vida adulta de Elisabeth, vamos descobrindo como funcionam os campeonatos de xadrez junto com a personagem. Anya Taylor-Joy desempenha uma atuação fenomenal ao dar vida a protagonista nas fases adolescente e adulta. Outra atriz que também se destaca é Marielle Heller, que transmite muito bem toda a complexidade da mãe de Beth.

O Gambito da Rainha conta com uma excelente direção e caracterização de época digna de todos os elogios. É muito legal ver a personagem refazendo as jogadas mentalmente no teto dos locais onde está, algo que acaba virando um ponto marcante da atração da Netflix. Mesmo sem compreender as jogadas que são feitas no tabuleiro, a minissérie pode ser facilmente acompanhada por qualquer pessoa. Quem sabe, depois dos sete episódios, você também não comece a se aventurar pelo mundo do xadrez 

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente


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