Atenção! O texto a seguir contém spoilers da segunda temporada de The Americans.

A notícia de que a Central estava trabalhando em uma segunda geração de agentes ilegais nos Estados Unidos certamente foi surpreendente. Apesar do fracasso da primeira investida, conforme retratado na temporada anterior, os russos desejam seguir adiante com o plano e já têm uma nova recruta em mente: Paige (Holly Taylor). Ao receberem o comunicado, Philip (Matthew Rhys) e Elizabeth (Keri Russell) tiveram reações extremamente negativas, já que ambos conhecem muito bem os riscos desse trabalho. Em uma ação inédita, Philip chegou até a procurar Arkady Ivanovich (Lev Gorn), chefe da rezidentura, para mandar uma mensagem não muito amigável.

Mesmo externando descontentamento, Elizabeth e Philip sabem que a Central não desistirá facilmente da ideia de recrutar sua filha; a única coisa que eles podem tentar fazer é ganhar tempo. Gabriel (Frank Langella), com quem o casal tem certa proximidade por já ter trabalhado junto, é quem tentará amenizar a situação. Gabriel também passa a ser o principal contato de Philip e Elizabeth no território estadunidense, repassando a eles as missões que devem ser executadas, bem como outros tipos de mensagens vindas de Moscou. Embora já estivesse aposentado, Gabriel decidiu retomar as atividades para laborar novamente junto com os dois agentes da KGB. As operações dessa temporada possuem ligação com a interferência dos EUA e da URSS na guerra no Afeganistão, dando origem a desdobramentos interessantes, como Philip precisar enfrentar questões morais para conseguir as informações que precisa.

As ausências constantes dos pais dentro de casa acaba fazendo com que Paige e Henry (Keidrich Sellati) se aproximem muito de outras pessoas. Paige não hesita em procurar o Pastor Tim (Kelly AuCoin) sempre que precisa de algum conselho, enquanto Henry passa a frequentar cada vez mais a casa de Stan (Noah Emmerich). Nesse ponto, é interessante observar como Stan consegue criar um vínculo bacana com Henry, algo que ele não tem com o próprio filho.

Depois de todos os problemas retratados no segundo ano da atração, Elizabeth tenta criar um vínculo mais próximo com a filha, chegando até a participar de cultos e eventos da igreja, mas Paige continua achando esquisito algumas atitudes da mãe. Como sabe da provável negativa dos pais, a adolescente utiliza da esperteza para conseguir as coisas que almeja, como ser batizada, em momentos que colocam Philip e Elizabeth em posições desconfortáveis. Ganhando um destaque maior, Paige terá de lidar com as consequências de suas desconfianças. 

As coisas começam a ficar agitadas no FBI quando o microfone colocado por Martha (Annet Mahendru) na sala do agente Gaad (Richard Thomas) é descoberto. Ficando claro que alguém estava vazando informações secretas, uma investigação extremamente detalhada é instaurada no escritório da agência federal. Martha, obviamente, fica extremamente preocupada e precisará cada vez mais do apoio de Clark/Philip para não levantar nenhum tipo de suspeita. Isso acaba aproximando ainda mais os dois, fazendo com que Philip passe a ser mais verdadeiro com ela. Resta agora saber qual rumo essa história ganhará na próxima temporada.

Ao ser presa, enviada para a Rússia e julgada por traição, Nina Sergeevna (Annet Mahendru) recebe oportunidades para ter uma redução na sua condenação. Mesmo estando presa, ela ainda pode ser útil para os interesses dos soviéticos. Enquanto isso, vemos uma união improvável acontecer: Oleg Igorevich (Costa Ronin) e Stan passam a trabalhar juntos para tentar encontrar alguma forma de realizar uma troca e trazer Nina de volta para os Estados Unidos. Com relação a sua esposa, Sandra (Susan Misner), Stan ainda parece não ter percebido quais foram os motivos (além da traição) para o fracasso do seu casamento.


Considerações finais
Na terceira temporada de The Americans, os principais personagens precisam lidar com uma série de questões familiares, morais e sociais. Elizabeth e Philip decidem enfrentar algumas das ordens que recebem, Stan mais uma vez arrisca sua carreira por conta de Nina e Oleg encara a pressão do pai, que usa toda a sua influência como ministro do transporte para obrigá-lo a voltar para a Rússia. Com Nina agora estando do outro lado do mundo, pela primeira vez a série muda sua ambientação para algum lugar fora dos Estados Unidos.

Diferente do que foi visto nas duas primeiras temporadas, o ápice do terceiro ano acontece no décimo episódio, quando toda a trama envolvendo o recrutamento de Paige tem o seu desdobramento mais importante até agora. Isso gera repercussões para o também memorável décimo terceiro capítulo, que encerra a temporada criando uma questão extremamente importante para ser resolvida no próximo ano. O drama de espionagem atinge um novo patamar, graças a sua trama envolvente e o brilhante trabalho dos atores e da equipe de produção. Ah, gostei da nova abertura, que sofreu pequenas modificações.

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente