Atenção! O texto a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead.

A nona temporada de The Walking Dead serviu como uma espécie de transição para a série. Tivemos o desaparecimento misterioso de Rick (Andrew Lincoln), a presença de saltos temporais e a introdução de um novo grupo inimigo. Diferente de tudo o que foi visto anteriormente, os Sussurradores, liderados por Alpha (Samantha Morton), vivem no meio dos mortos e são capazes de controlar o deslocamento de grandes hordas de mortos vivos. Utilizando máscaras feitas com a pele de cadáveres, identificá-los no meio da multidão de zumbis não é uma tarefa fácil. No final da temporada passada, ao colocar a cabeça de dez sobreviventes no topo de estacas que demarcavam o seu território, Alpha deu uma pequena amostra do quão insana ela pode ser.

A atitude logicamente pegou todos de surpresa e aumentou ainda mais a tensão entre as comunidades e os Sussurradores. Impossibilitados de realizar um ataque naquele momento, tudo o que Carol (Melissa McBride), Daryl (Norman Reedus), Michonne (Danai Gurira) e companhia podiam fazer naquele momento era dar uma trégua para posteriormente organizarem um ataque. A décima temporada inicia mostrando como os sobreviventes passam a lidar com um novo inimigo na área, que a todo tempo realiza ações para prejudicá-los e está cada vez mais aumentando o domínio sobre as terras da região.

A morte de Henry (Matt Lintz) deixou Carol profundamente abalada, gerando nela um profundo sentimento de vingança e descrença. Ela e Alpha se encaram mais de uma vez, sendo que no terceiro episódio Carol chega até mesmo a atirar na líder dos Sussurradores, mas por uma intervenção de Michonne a bala não acerta o alvo. Um novo encontro entre as duas acontece no nono episódio, ocasião em que Alpha aproveita do atual estado de Carol para armar uma emboscada para ela e seus colegas. O resultado é que o grupo é facilmente atraído para o interior de uma caverna, e lá precisam lidar com as surpresas que estavam escondidas.

Em meio a esse clima de tensão, alguns eventos interessantes acontecem durante o desenvolvimento da trama. O primeiro deles é a presença de um Sussurrador infiltrado em Alexandria: o aliado de Alpha e Beta (Ryan Hurst) realiza ações discretas para provocar doenças e mortes na comunidade. Em sentido contrário, Negan (Jeffrey Dean Morgan) deixa Alexandria e tenta se juntar ao grupo das máscaras de peles. As reais intenções do antigo vilão somente são reveladas no décimo segundo episódio. Ainda temos a presença de Gamma (Thora Birch), que em um primeiro momento realiza ações a mando de Alpha, mas depois acaba mudando de lado. Um pouco deslocado dessa parte da história, Eugene (Josh McDermitt) passa a trocar mensagens, via rádio, com uma mulher desconhecida e começa a planejar uma forma de encontrá-la.

Como a atriz Danai Gurira ia deixar The Walking Dead, Michonne precisava ter algum destino. Situação semelhante já aconteceu no passado com a atriz Lauren Cohan, que interpreta a personagem Maggie. A solução escolhida pelos roteiristas foi colocar a personagem em uma jornada separada, levando-a a encontrar uma pista curiosa dentro de um barco. A conclusão acabou me surpreendendo positivamente, resta agora saber se em algum momento veremos uma sequência, seja na próxima temporada ou nos filmes que estão sendo planejados.

O décimo sexto episódio, que em tese seria o final, apresenta uma conclusão para a trama dos Sussurradores e começa a introduzir um novo arco. Como a pandemia do novo coronavírus (covid-19) afetou a pós-produção da série, o capítulo que deveria ser transmitido em abril de 2020 somente foi ao ar em outubro do mesmo ano. Impossibilitados de iniciar a gravação da temporada final, seis capítulos extras foram lançados no começo de 2021, objetivando abordar alguns detalhes não explicados pela atração. O vigésimo segundo episódio é realmente muito bom, mas o restante apresenta uma qualidade mediana, parecendo que alguns deles estavam ali apenas para cumprir o cronograma.


Considerações finais
A décima temporada de The Walking Dead dá sequência ao conflito entre os sobreviventes e os Sussurradores, colocando um ponto final nessa parte da história. Ao contrário dos embates com os Salvadores, que tinha a ação frenética como principal característica, o enfrentamento ao grupo liderado por Alpha e Beta é marcado pelo suspense e por planos bem traçados dos dois lados. Diferente de qualquer inimigo, o grupo das máscaras de pele utilizam os zumbis como um importante tipo de arma, complicando bastante a vida dos sobreviventes.

Talvez o maior problema tenha sido a morte de personagens que quase ninguém se importa. Os saltos temporais empregados na temporada passada criaram um novo ambiente, mas também deixaram certos aspectos da história bastante superficiais, o que afeta ainda mais os personagens secundários; como não conhecíamos direito suas histórias, as mortes não possuem um grande peso. Os dezesseis episódios mantiveram um bom ritmo narrativo, dividindo bem o tempo de tela dos principais protagonistas. Existem sim momentos de quebra de desenvolvimento, algo já recorrente na série, mas eles ocorreram de forma menos constante. O mesmo não se pode dizer dos episódios extras: a grande maioria agrega muito pouco para a história, coisas que poderiam ser contadas em poucos minutos ganharam um episódio inteiro para serem exploradas.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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