Análise da série Irmandade (2ª temporada)


Atenção! O texto a seguir contém spoilers da primeira temporada de Irmandade.

A vida de Cristina (Naruna Costa) se transformou em um verdadeiro inferno depois que ela decidiu arriscar a própria carreira para lutar contra o sistema e tentar proteger o seu irmão. Forçada a colaborar com a polícia, ela teve que se infiltrar em uma facção criminosa e repassar para as autoridades tudo o que estava sendo planejado. Quando sentiu que a situação estava ficando quente para o seu lado, Cristina soube usar a inteligência para desviar os olhares para Carniça (Pedro Wagneras). O grande problema nessa história é que o policial Andrade (Danilo Grangheia), que em tese deveria dar apoio para a advogada, não cumpre as suas promessas e adota uma postura de enfrentamento e provocação, o que acabou lhe custando a vida.

Após o robusto plano de fuga ter fracassado e terminado com vários membros da Irmandade mortos, Darlene (Hermila Guedes) logo percebeu que havia um infiltrado entre eles. Ligando todos os acontecimentos recentes, chegar até o nome de Cristina não foi uma tarefa muito difícil. Isso fez a relação entre elas azedar de vez, mas as duas vão precisar se entender para impedir que novas tragédias aconteçam na penitenciária. Agora que está com a fita da gravação telefônica em que Darlene liga para a polícia e entrega a localização de Carniça, Cristina tem em suas mãos um objeto precioso e precisa ter serenidade para saber o que fazer com ele. Ao longo da segunda temporada, a protagonista é vista com a fita várias vezes, o que mostra o quanto ela está insegura e indecisa com os fatos que estão acontecendo ao seu redor.


Com a rebelião na Penitenciária Coronel Roberto Tibiriçá, os presos conseguiram a troca do secretário de segurança, mas não há muitos motivos para comemorar. Quem assume o posto é Gomes (Emílio de Mello), que na sua primeira conversa com Edson (Seu Jorge) já deixa o seu recado: ele quer receber mensalmente R$ 80 mil para garantir a paz no presídio. Mauro Jordão (Fábio Lago), o novo diretor da prisão, também está envolvido no esquema de corrupção. Relutante em um primeiro momento, Edson se vê obrigado a aceitar a proposta quando um de seus comparsas quase é morto enforcado bem na sua frente. Se os pagamentos não forem efetuados, Gomes apresenta uma lista com os detentos que serão mortos, todos membros da Irmandade. O desafio maior é conseguir essa quantidade de dinheiro com frequência e em um curto período de tempo.

O assunto corre pelos corredores do presídio e Zica (Rubens Santos), um preso que trabalha na limpeza e tem acesso a várias áreas da penitenciária, resolve dar a sua contribuição. Ele revela a Edson que quinhentos quilos de cocaína vão ser destruídos pela Polícia Civil, quantidade que poderia facilmente render R$ 1 milhão para a facção. Como Zica é um ex-membro da Irmandade, sua informação é encarada com cautela, já que ele poderia, por algum motivo, estar enganando o grupo. Sem poder recorrer a outra opção, Edson encarrega Cristina e sua esposa de averiguar se o que foi relatado é verdade. Para reconquistar a confiança de sua cunhada, Cristina pede para dois comparsas matarem o policial Matos (Conrado Sardinha), que era colega de Andrade e estava atrás de Darlene.

É interessante observar que a organização criminosa, majoritariamente formada por homens, agora dependia de duas mulheres para continuar existindo. Enquanto Cristina fica encarregada de descobrir no Ministério Público a data de incineração da droga, Darlene assume a responsabilidade de encontrar um comprador para a cocaína. O trabalho de invadir o prédio do MP exige um planejamento maior, mas é uma situação mais fácil de ser controlada, principalmente pelo fato da advogada conhecer o local. Já Darlene precisa frequentar um ambiente hostil e tolerar insultos, sem ter a certeza de que iria atingir o seu objetivo, o que não a fez se sentir intimidada, em momento algum, pelo traficante Oseas (Milhem Cortaz). 

Superada essa etapa inicial, elas precisavam bolar uma forma para conseguir ter acesso a essa grande quantidade de drogas. Para isso, o grupo até executa um plano bem elaborado, mas um pequeno detalhe faz a situação sair do controle e a operação precisa ser abortada, o que também acaba comprometendo o acordo feito com Oseas. Vendo as coisas desandando cada vez mais, Ivan (Lee Taylor) e Cristina resolvem tomar medidas que não serão bem aceitas por Edson e Darlene. Esse movimento gera desdobramentos importantes e mostra que algo novo pode estar surgindo na facção. Na segunda metade da temporada, temos a execução de um novo plano de fuga, um forte embate entre Cristina e Darlene e um desfecho determinante para o futuro da Irmandade e a sua luta por justiça.


Considerações finais:
A segunda temporada de Irmandade mostra que Cristina está totalmente envolvida com a facção que foi fundada por seu irmão. Sem estar sofrendo pressão por parte da polícia, a advogada tem maior liberdade e demonstra que consegue agir com razão até mesmo no instante em que as coisas começam a ficar mais complexas. O problema é que o período em que ela trabalhou como informante não foi esquecido e as consequências de seus atos aparecem agora: a reta final do segundo ano representa um enorme desafio para a personagem, que precisa encarar o tribunal do crime e se sujeitar às suas regras.

O que vemos no decorrer dos seis episódios não é apenas uma tentativa de luta contra um sistema corrupto e desumano, mas também um processo de ressignificação dos princípios da organização. Essa mudança fez bem para o enredo, que não precisou repetir a estrutura adotada no primeiro ano e ousou em fazer algumas escolhas corajosas (e que podem não agradar a todos). Com dois capítulos a menos, a produção ficou mais intensa e dinâmica, entregando ótimas reviravoltas para o espectador, embora existam alguns clichês. Seu Jorge, Hermila Guedes e Naruna Costa estão incríveis em seus papéis e desempenham grandes atuações. A parte técnica novamente me agradou, entregando uma bela fotografia, boa direção e uma excelente caracterização de época.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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Herbert Viana

Criador do Portal E7, Herbert é advogado, amante de games e séries. Gamertag/ID: "HerbertVFV". twitter

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