Anunciado durante a conferência de Electronic Arts na E3 de 2015, Unravel foi um dos jogos que mais chamaram a minha atenção naquele ano. O belíssimo visual provavelmente foi o principal fator, já que Martin Sahlin, diretor criativo do jogo, pouco falou sobre sua história. Passado pouco mais de um ano do seu lançamento, finalmente tive a oportunidade de conferir o título e tirar minhas próprias conclusões.

Unravel inicia mostrando uma senhora em sua casa. Enquanto subia a escada carregando uma cesta cheia de novelos de lã, a linha de cor vermelha acaba caindo, rola pelo ambiente e dá origem a Yarny, o misterioso personagem que controlamos durante a aventura. Assim que a cena inicial é exibida, o jogador assume o controle do protagonista e pode começar a explorar a casa da idosa.

Ao subir e descer pelos móveis, os pontos de intenção começam a ser revelados. O primeiro objeto que você encontrará no caminho é um álbum de família, que nesse momento estará com todas as folhas em branco. Conforme se avança no jogo, o álbum é preenchido com fotos e páginas com pequenas mensagens que refletem sobre a vida e a convivência com nossos entes queridos. A narrativa do game está limitada a esse aspecto, não há explicações sobre Yarny nem porque ele está recuperando as memórias dessa família.

Seguindo mais adiante, é possível interagir com um porta-retratos. Ao pressionar o botão indicado na tela, a primeira fase do game é desbloqueada; todos os levels são liberadas desta mesma forma. Completando os níveis, Yarny passa a ter acesso a novos locais da casa da idosa. A qualquer momento é possível voltar e rejogar qualquer uma das fases já liberadas. O fator replay se limita à coleta dos colecionáveis que foram deixados para trás (o próprio jogo indica quantos itens estão faltando).

Uma característica marcante do título é a limitação de deslocamento de Yarny. Quando começa a andar, o personagem vai desenrolando a sua linha e, via de consequência, começa a desmanchar. Isso significa que existe uma distância máxima que pode ser alcançada em cada área. Para contornar esse problema, pequenos pedaços de linha estão espalhados pelas fases. Ao coletar as linhas, elas são incorporadas ao corpo do personagem e aumentam a sua área de exploração. As linhas também servem como checkpoints nas fases.

O uso da lã é essencial para alcançar locais que antes estavam indisponíveis. Prendendo a linha em locais específicos das fases, Yarny pode se pendurar nela e balançar, o que possibilita a realização de saltos maiores. Para chegar a locais mais altos, amarre a linha em duas partes do cenário para formar uma espécie de trampolim. É possível também utilizar o fio de lã para subir e descer das superfícies. O protagonista ainda pode puxar objetos e escalar paredes com vegetação. A jogabilidade é muito boa e o personagem executa bem os comandos que são dados pelo jogador.

O título não apresenta um grau elevado de complexidade, mas para conseguir avançar é necessário parar e pensar um pouco. Alguns trechos só podem ser passados com base na tentativa ou erro, mas isso não torna o game frustrante. Como os níveis possuem muitos checkpoints, caso falhe no objetivo, você sempre renascerá perto de onde estava.

A parte visual de Unravel é, sem dúvidas, o seu maior destaque. Além do personagem, os cenários são extremamente bem feitos e detalhados. As imagens levemente desfocadas no fundo das fases completam os ambientes e tornam a experiência visual ainda mais agradável. As músicas suaves transmitem uma sensação de tranquilidade e relaxamento para o jogador, resultando em uma experiência extremamente satisfatória. Os efeitos sonoros aparecem de uma forma mais discreta, mas sempre estão presentes.

Além de ter ajudado financeiramente o estúdio Coldwood Interactive no desenvolvimento de Unravel, a Electronic Arts também foi responsável pela distribuição do game. Nesse ponto, é extremamente decepcionante que uma publisher do tamanho da EA não tenha medido esforços para localizar o jogo em português. Embora não tenha muitas partes em texto (o que facilitaria o trabalho de tradução), a falta de domínio de outro idioma acaba limitando o acesso de muitos jogadores à história do game. Além disso, o Brasil já é um mercado grande o suficiente para ganhar a atenção de uma empresa do porte da EA, não é mesmo?

Lançado em 2016, Unravel está disponível para Windows, PlayStation 4 e Xbox One. Esta análise foi feita com base na versão do Xbox One.


Considerações finais
Misturando elementos de plataforma com puzzles, Unravel entrega uma experiência extremamente satisfatória e contemplativa. Não se trata apenas de um jogo, é uma obra que gera reflexões sobre a finitude da vida humana. Todo o carinho empregado pelos desenvolvedores é facilmente percebido nos pequenos detalhes do game. Que bom que a EA viu o potencial do projeto e deu o apoio necessário para a Coldwood concluir o game.

Como entrega muito cedo para o jogador a maioria de suas mecânicas, a aventura acaba sendo uma repetição das mesmas ações em ambientes diferentes. Os desafios, logicamente, vão ficando mais elaborados, mas não chegam a ser extremamente desafiadores. Contando com uma jogabilidade fluida e responsiva, o que realmente encanta em Unravel é a sua parte audiovisual.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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