Análise do jogo The Witness
Levaram 7 anos para que Jonathan Blow, responsável por Braid, conseguisse completar o desenvolvimento de seu novo jogo. Com tanto tempo e trabalho empregado, The Witness consegue entregar uma experiência única para o jogador, repleta de mistérios, segredos e muitos desafios.
Com perspectiva em primeira pessoa, The Witness coloca o jogador em uma misteriosa ilha. Sem dar nenhum tipo de informação, o game apresenta ampla liberdade de exploração, permitindo andar por todo o seu mapa. Ao dar os primeiros passos, é possível perceber que o local está recheado de painéis com puzzles para serem resolvidos (existem mais de quinhentos).
A premissa básica dos quebra-cabeças é ligar o ponto A ao ponto B por meio de caminhos estabelecidos pelo próprio jogo. No começo, os puzzles são simples e de fácil resolução, mas conforme se avança, os desafios vão ficando cada vez mais complexos. Caso o jogador trave em algum puzzle, a melhor escolha é buscar um novo lugar para explorar. Cada região da ilha apresenta um grau de dificuldade: existem locais, que se explorados antes, proporcionam uma progressão muito mais rápida. Acontece que The Witness não conta isso para o jogador, cabendo a nós nos aventurarmos por conta própria pelas diversas regiões da ilha.
Para facilitar a locomoção entre as localidades, o game conta com um barco, o único meio de transporte disponível. Com ele, é muito fácil e rápido ir de um ponto localizado na região sul até o norte da ilha. Estes momentos de locomoção servem para que o jogador observe a beleza do mundo existente ao seu redor. Em termos visuais, The Witness é muito bonito, contando com belíssimos efeitos de iluminação. Enquanto se explora uma região é possível perceber o cuidado que os desenvolvedores tiveram em criar cada parte desse misterioso mundo. Não há nenhuma trilha sonora, os únicos sons existentes são aqueles criados pelo próprio mundo do game.
Além de testar o raciocínio lógico, em The Witness existem muitos mistérios espalhados pelo mapa, sendo o mais curioso localizado no topo da montanha mais alta do game. Para descobrir o que há lá, o jogador deve antes conseguir ativar onze lasers que apontam para tal ponto. Para conseguir ativar cada um dos raios de luz, é necessário completar os desafios localizados em suas proximidades. Mesmo sendo um jogo difícil, conseguir solucionar os puzzles presentes em determinada região e ativar o laser lá existente é uma experiência muito recompensadora.
E como o jogador tem noção do quanto está avançando? A maioria dos puzzles estão inseridos dentro de painéis, e esses painéis estão ligados uns nos outros por meio de um fio. Resolver todos os puzzles de um painel faz com que o fio se ascenda, servindo como guia até o próximo conjunto de quebra-cabeças. Os puzzles são muito criativos e vários deles envolvem diversos elementos presentes no cenário. Isso faz com que o jogador esteja constantemente exposto a novos tipos de desafios.
Até existe uma história por trás do game, mas ela é outro enigma que precisa ser resolvido. A narrativa se manifesta por meio de arquivos de áudio, vídeos secretos e estátuas espalhadas pelo ambiente. É preciso dizer que a história é bem aberta e abstrata, cabendo ao jogador tirar suas próprias conclusões.
Desenvolvido pela Thekla, The Witness foi lançado em 2016 para PlayStation 4, Xbox One e PC. No ano seguinte o game ganhou versões para Android, iOS e macOS. Esta análise foi redigida com base na versão do Xbox One.
Considerações finais
Por não apresentar nenhum tipo de tutorial nem guia, The Witness acaba não sendo muito acessível, podendo se transformar em uma experiência frustrante. A dificuldade é outro fator que pode levar o jogador a abandonar o game no meio do caminho. No entanto, aqueles que forem persistentes e estiverem dispostos a explorar o mapa do game serão, certamente, recompensados com uma grande experiência.
Apresentando puzzles criativos e com diversas mecânicas embutidas, The Witness é desafiador, mas ao mesmo tempo recompensador. É uma boa oportunidade para testar seu raciocínio lógico e mergulhar em um misterioso mundo, onde há mais dúvidas do que respostas. Em termos artísticos, o visual do game é muito bonito, mas senti falta da presença de uma trilha sonora. Depois de longos anos em desenvolvimento, Jonathan Blow conseguiu entregar mais um ótimo jogo.
Nota
★★★★☆ – 4 – Ótimo
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