Depois do impactante desfecho da temporada anterior, havia expectativa para descobrir como a série seguiria sem a presença de Chuck (Michael McKean). Logo no início, a falta de interesse e comoção de Jimmy (Bob Odenkirk) com a morte do irmão causa espanto em Kim (Rhea Seehorn), que fica sem entender as reações de Jimmy; ela é quem acaba sofrendo ao perceber o quão dissimulado seu parceiro chega a ser.

Talvez este seja um dos fatores de Kim estar cada vez se afastando mais de Jimmy. Apesar de todos os problemas, o que inclui uma discussão feia no nono episódio, ela ainda se mantém ao lado de Jimmy em todos os momentos, ajudando-o em casos como o de Huell Babineaux (Lavell Crawford) e o seu reingresso na Ordem dos Advogados. O único momento em que o casal realmente dá certo é a execução dos planos fraudulentos, chega a ser surpreendente o envolvimento de Kim em toda a armação. A diferença é que Kim não quer isso para a sua vida, o que certamente, com as demais atitudes de Jimmy, levará o casal a se separar.

Com a suspensão de um ano, Jimmy se vê obrigado a procurar trabalhos alternativos para conseguir o reingresso na advocacia, o que faz com que ele assuma o cargo de atendente em uma loja de celulares. Como Jimmy não é uma pessoa boba, ele sempre procura formas de conseguir algum tipo de vantagem pessoal, o que as vezes o coloca em uma fria. Em certos momentos você até torce pelo protagonista da série, mas aqueles que assistiram Breaking Bad sabe onde tudo isso irá parar. Mantendo o histórico das temporadas anteriores, monólogo do primeiro episódio mostra Jimmy no presente. Ainda somos premiados com cenas Saul Goodman durante os eventos de Breaking Bad.

O núcleo de Mike (Jonathan Banks) nesta temporada concentra-se na construção do laboratório subterrâneo de Gus (Giancarlo Esposito). A relação de amizade que Mike cria com o engenheiro Werner (Rainer Block) é legal, mostrando um lado do personagem nunca antes visto em Breaking Bad nem mesmo em Better Call Saul. A história aqui não se desenvolve muito não, tendo como ponto mais importante o desaparecimento de um dos alemães envolvidos no projeto. Gus ainda é um personagem que não mostrou todo o potencial visto em BrBa.

O narcotráfico tem uma presença menor nesta temporada em comparação com a anterior. Nacho (Michael Mando) continua sendo um personagem interessante, e a adição de Lalo (Tony Dalton) promete aumentar o clima de desgaste existente entre Gus e a família Salamanca. Não posso deixar de mencionar o monólogo em que o icônico sino de Hector (Mark Margolis) é inserido em sua cadeira de rodas.

Cabe mencionar mais uma vez o excelente trabalho de direção e fotografia da série, apresentando ângulos de câmera que a todo momento ajudam a contar a história. Um simples chiclete, algo até então normal, possui uma grande importância em um momento específico envolvendo Mike - basicamente a série te apresenta algo e vai, aos poucos, desenvolvendo aquilo até te apresentar toda a explicação.


Considerações finais
Falar da qualidade de Better Call Saul já está se tornando algo batido, não resta nenhuma dúvida da grandiosidade da série criada por Vince Gilligan e Peter Gould. No quarto ano da produção, finalmente vemos a transição definitiva de James McGill para Saul Goodman, o que certamente causará vários impactos na próxima temporada.

Com a ausência de Chuck, Kim acaba ganhando mais espaço na série: esta é a temporada que mais explora o relacionamento existente entre os advogados. Em contrapartida, com a construção do laboratório subterrâneo, o núcleo do narcotráfico acaba perdendo espaço, mas isso não impede que tenhamos boas cenas deste arco na série. No mais, a forma como a série te conta as coisas é sem dúvidas algo louvável da produção!