Atenção! O texto a seguir contém spoilers da oitava temporada de The Walking Dead.

Depois de duas temporadas bem abaixo do esperado, era nítido que a AMC precisava promover mudanças em The Walking Dead. Angela Kang, que já havia escrito alguns episódios e era uma das produtoras executivas da atração, é quem assume o cargo de showrunner e passa a ditar os rumos que o drama apocalíptico tomará daqui para frente. As mudanças já começam na abertura, que sofreu profundas modificações, adotando um estilo artístico totalmente diferente daquele que foi utilizado nos anos anteriores.

Com os Salvadores derrotados, os sobreviventes tentam criar uma nova sociedade com aquilo que restou do mundo. Se não podem fazer uso da tecnologia, a chave para seguir em frente é voltar para o passado e ver como as pessoas sobreviviam antes da modernidade. Rotas comerciais começam a ser criadas e as comunidades passam a colaborar umas com as outras em prol de um bem comum. No entanto, o fato de Rick (Andrew Lincoln) ter poupado a vida de Negan (Jeffrey Dean Morgan) não é unanimidade entre todos e, em alguns casos, até compromete a relação com Hilltop. Maggie (Lauren Cohan) demora a perceber que não havia nada pior para Negan do que ser mantido em uma prisão.

A notícia que Andrew Lincoln deixaria a série foi um balde de água fria. Não sabíamos qual seria o destino de Rick, a única certeza é que veríamos o personagem em ação apenas por mais alguns episódios. Outro desfalque envolvendo o elenco principal foi a saída da atriz Lauren Cohan. Enquanto houve um cuidado especial para mostrar o que aconteceu com Rick em seus últimos momentos, o mesmo não aconteceu com Maggie: só ficamos sabendo o que ocorreu com ela por meio de diálogos entre os personagens. Sobre Rick, uma trilogia de filmes dará sequência à história do ex-policial, enquanto Maggie deve retornar em algum momento futuro.

No quinto episódio, The Walking Dead apresenta um grande salto temporal, o maior já visto em toda a sua história. O crescimento de Judith Grimes (Cailey Fleming) deixa claro que muitos anos se passaram desde o ocorrido com Rick. Logo percebemos que, além dos longos cabelos de Carol (Melissa McBride), muitas coisas estavam diferentes: nesse lapso temporal, as comunidades ficaram mais isoladas do que unidas. O Reino, por exemplo, precisa lidar com problemas relacionados com a sua infraestrutura, enquanto tenta realizar uma feira que tinha o intuito de reunir todos. Em meio a essas questões, um novo tipo de ameaça começa a dar as suas primeiras demonstrações de força e organização.

Liderados por Alpha (Samantha Morton), os Sussurradores conseguem caminhar tranquilamente entre os zumbis e utilizam as hordas como arma e proteção. O novo grupo usa máscaras feitas com a pele de pessoas mortas, dificultando a identificação de seus membros no meio dos zumbis. Ao contrário de tudo o que já apareceu na série, os Sussurradores não possuem um lugar fixo de moradia, eles são nômades e ficam perambulando pela região. Isso, no entanto, não significa que eles não tenham um território demarcado.

Com uma filosofia de vida totalmente diferente, Alpha é capaz de matar até mesmo as pessoas próximas a ela em prol de manter seus valores. Mesmo passando uma imagem de durona, a personagem apresenta momentos de fraqueza e é vista chorando. Ao contrário dos Salvadores, que demonstravam sua força por meio das armas de fogo, os Sussurradores expressam sua periculosidade com estratégias e ações: no décimo quinto episódio, Alpha mata de uma vez dez personagens e coloca suas cabeças no topo de estacas. O aviso foi dado de uma forma bem clara, resta saber como os sobreviventes lidarão com essa nova situação.


Considerações finais
Não é fácil manter a qualidade de uma série ao longo de nove anos. Sofrendo com constantes quedas de audiência, The Walking Dead já passou por altos e baixos. A boa notícia é que a nona temporada conseguiu dar um gás extra para o drama apocalíptico e entregou uma narrativa bem desenvolvida. Por incrível que pareça, os melhores momentos da temporada se dão no exato momento em que Rick e Maggie já não estavam mais presentes, o que mostra que a ausência dos antigos líderes de Alexandria e Hilltop não foi tão sentida. Isso também permitiu que outros personagens ganhassem mais espaço e destaque na história.

Angela Kang cumpriu o desafio de renovar o seriado após duas temporadas abaixo da média. Os primeiros capítulos do nono ano são bem mornos, mas a atração logo engata e apresenta uma sequência de bons acontecimentos. Alpha é uma personagem que sempre chama a atenção quando aparece na tela, resultado da ótima atuação da atriz Samantha Morton. Outro ponto interessante é a relação que Negan cria com Judith, o que atesta que ele não é mais a mesma pessoa de anos atrás. Vamos ver como a produção lidará com a sequência do arco dos Sussurradores e como os sobreviventes encararão esse temido grupo.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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