Depois de duas temporadas bem abaixo do esperado, a AMC precisava promover mudanças na sua principal série em exibição. Para isso, Angela Kang foi contratada como novo produtora da série, tendo como objetivo restabelecer a série e não cometer os mesmos erros do passado. Será que ela conseguiu? Isto é o que você vai descobrir nesta análise.

As mudanças começaram na abertura, que sofreu as modificações mais severas desde o lançamento da série, em 2010. Depois de Alexandria, Hilltop, o Reino e Oceanside unirem suas forças para derrotar os Salvadores, e Rick (Andrew Lincoln) ter decidido manter Negan (Jeffrey Dean Morgan) vivo (final da oitava temporada), a nona temporada retrata a vida dos sobreviventes após estes eventos, bem como as consequências geradas pela decisão tomada por Rick.

Nos primeiros episódios, vemos como as comunidades estavam se organizando para a criação de uma nova sociedade. Sem um grande inimigo para ser combatido, o foco principal destes episódios gira em torno da organização de um livre comércio entre as comunidades, o que motiva os sobreviventes a criarem uma operação para a construção de uma ponte. Até aqui, os principais embates são resultantes de decisões políticas tomadas pelos próprios personagens.

Ainda na primeira parte da temporada, a série tem que lidar com a saída de dois dos seus principais personagens: Rick e Maggie (Lauren Cohan). Enquanto há um cuidado especial em mostrar o que aconteceu com Rick em seus últimos momentos na série, o mesmo não acontece om Maggie: só ficamos sabendo onde a líder de Hilltop está por meio de diálogos entre os personagens. Sobre Rick, nós já sabemos que uma trilogia de filmes está sendo preparada para dar sequência a história do ex-policial; quanto a Maggie, é esperado que a personagem reapareça futuramente na série.

The Walking Dead passa então por um grande salto temporal, o maior já visto em toa a sua história: o crescimento de Judith Grimes (Cailey Fleming) deixa claro que muitos anos se passaram desde o desaparecimento de Rick. Não demora muito para percebermos que, com o passar dos anos, as comunidades ficaram mais isoladas do que unidas. Agora, no momento em que uma nova ameaça está entre eles (os Sussurradores), os sobreviventes tentam uma reaproximação.

Liderados por Alpha (Samantha Morton), os sussurradores conseguem caminhar tranquilamente entre os zumbis, utilizando as hordas como arma e proteção. O novo grupo usa máscaras feitas com o rosto de pessoas mortas, o que dificulta sua identificação no meio dos zumbis. Ao contrário de tudo o que já apareceu na série, os Sussurradores não possuem um lugar fixo para moradia, eles são nômades e ficam perambulando pela região.

A introdução de Alpha é muito bem trabalhada, com certeza foi a melhor apresentação de um antagonista em toda a série. Com uma filosofia de vida totalmente diferente, Alpha é capaz de matar sua própria filha em prol de manter seus valores. Mesmo passando uma imagem de durona, Alpha demonstra fraqueza em dois pequenos momentos, quando acaba chorando. Ao contrário dos Salvadores, que demonstravam sua força por meio das armas de fogo, os Sussurradores mostram seu grau de periculosidade em suas estratégias e atos: no décimo quinto episódio, Alpa mata de uma vez dez personagens. O aviso da líder dos Sussurradores foi dado...


Considerações finais
Não é fácil manter a qualidade de uma série ao longo de nove anos. Sofrendo com constantes quedas de audiência, The Walking Dead já passou por altos e baixos. A boa notícia é que a nona temporada conseguiu dar um gás extra para a série de zumbis, apresentando uma boa trama. Por incrível que pareça, os melhores momentos da temporada se dão no exato momento em que Rick e Maggie já não estavam mais presentes, o que mostra que a ausência dos personagens não foi tão sentida. Isso permitiu que outros personagens ganhassem mais espaço e destaque na trama.

Angela Kang conseguiu cumprir o desafio de renovar a série, que vinha de duas temporadas fracas e cheias de enrolação. Os primeiros capítulos da nona temporada são bem mornos, mas a série logo engata e apresenta uma série de acontecimentos relevantes. Além do novo rumo que a história tomou, grande parte do bom desempenho desta temporada se deve aos novos personagens, em especial Alpha: toda vez que a líder dos Sussurradores aparece temos cenas interessantes e muito intrigantes (resultado do bom trabalho desempenhado pela atriz Samantha Morton). Resta agora aguardarmos a décima temporada para descobrirmos como a série lidará com todos os arcos aqui introduzidos.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo