Depois de executarem com sucesso o assalto na Casa da Moeda da Espanha, fato retratado nas partes um e dois de La Casa de Papel, o grupo guiado pelo Professor (Álvaro Morte) espalhou-se pelo mundo. Divididos em duplas, cada um dos ladrões recebeu uma espécie de guia, com o local para onde iriam. Eles também foram instruídos a como entrar em contato com o professor caso alguma emergência surgisse.

Tóquio (Úrsula Corberó) e Rio (Miguel Herrán) foram parar em uma ilha paradisíaca no Caribe. Sem ter muito o que fazer no local, Tóquio decide abandonar a ilha e buscar diversão na cidade. O casal continuaria mantendo contato por meio de um rádio via satélite. O que eles não esperavam é que a Europol conseguiria interceptar suas conversas e descobrir a localização dos dois. Quando Rio avista os barcos da polícia chegando à ilha, ele consegue contatar Tóquio para que ela fugisse. Com a ilha cercada, o jovem hacker não teve outra opção a não ser se entregar. Já Tóquio, em melhores condições, consegue fugir da polícia.

Tóquio segue as instruções recebidas após o roubo e consegue contato com seu transportador, que a leva até o Professor. Ao tomar conhecimento de que Rio tinha sido capturado e, provavelmente estava sendo torturado em terras estrangeiras, o Professor reúne o grupo e decide pôr em prática um plano idealizado por Berlim (Paco Tous) antes do assalto à Casa da Moeda. O novo plano é maior, mais ousado e também mais arriscado: a meta dos assaltantes é roubar a reserva de ouro nacional que está guardada no Banco da Espanha. Assim, o grupo conseguirá chamar a atenção da polícia, podendo negociar o resgate Rio.

Além do Professor, Tóquio, Denver (Jaime Lorente), Nairobi (Alba Flores) e Helsinque (Darko Peric), todos sobreviventes da primeiro grande roubo, o grupo passa a contar om novos integrantes: Raquel Murillo (Itziar Ituño), ex-inspetora da polícia e agora identificada como Lisboa; Mónica Gaztambide (Esther Acebo), chamada de Estocolmo; Palermo (Rodrigo de la Serna), um engenheiro e velho conhecido de Berlim que passa a integrar o grupo a convite do Professor; Bogotá (Hovik Keuchkerian), um exímio soldador; e Marselha (Luka Peros), que será responsável por deixar a polícia espanhola totalmente confusa.

Do outro lado da história, também temos a presença de personagens já conhecidos, como subinspetor Ángel (Fernando Soto), o coronel Prieto (Juan Fernández) e o policial Suárez (Mario de la Rosa). Os novos nomes responsáveis por tentar desmantelar o plano do professor são o coronel Tamayo (Fernando Cayo) e a inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri). Diferente de Raquel, Alicia é ousada e destemida. Mesmo grávida, Alicia não demonstra muito seus sentimentos e sabe ser bem cruel quando é requisitada.

Quem comanda a operação dentro do Banco da Espanha é Palermo, desempenhando o mesmo papel que Berlim no roubo à Casa da Moeda. Falando em Berlim, o irmão do Professor aparece de forma corriqueira nesta terceira parte, mas em forma de flashbcks. Mesmo que muitos esperassem que o personagem poderia ter sobrevivido à ofensiva policial, tal fato era muito improvável e acabaria tornando a história muito mais surreal. Quem está de volta é o Arturito (Enrique Arce), que virou escritor e palestrante após assalto à Casa da Moeda. Em uma ação inusitada, ele acaba querendo viver mais uma vez a sensação de virar refém, em uma falha tentativa de convencer Mónica a deixá-lo conhecer seu filho.


Considerações finais
Pode ser que muitos não saibam que La Casa de Papel não surgiu como uma série original da Netflix. A produção foi originalmente exibida pelo canal espanhol Antena 3 em uma temporada única composta por quinze episódios. Não havia nenhum plano para uma sequência da história. A Netflix adquiriu os direitos da série e a distribui em todo o mundo por meio da sua plataforma, dividindo a temporada em duas partes. O sucesso foi tão grande que a empresa de streaming encomendou uma continuação. É aí que surge algo preocupante: na indústria de entretenimento já vimos o lado comercial fazer com que séries sejam estendidas extensivamente ocasionando, consequentemente, uma perda de qualidade.

A terceira parte de La Casa de Papel resolveu não arriscar e apresentou acontecimentos muito semelhantes aos que já foram vistos anteriormente: um grande assalto na Espanha e a luta da polícia para deter o plano e capturar o grupo criminoso. Temos alguns novos elementos interessantes, como o apoio popular recebido pelos assaltantes (devido a luta contra o sistema) e a insegurança do Professor em executar um plano que não foi por ele exaustivamente estudado. Confesso que achei os primeiros episódios abaixo da média, mas a série foi engrenando e conseguiu entregar um ótimo episódio final. Além daquilo que todo mundo quer ver, nos seus oito episódios Álex Pina encontrou espaço para abordar temas como machismo e métodos de tortura utilizados pela polícia. No fim das contas, tanto as ações dos assaltantes e quanto as da polícia merecem suas críticas. A sequência provavelmente agradará aqueles já gostavam da série espanhola.

Nota
★★★★☆ - 4


Veja mais sobre La Casa de Papel:
└ Análise da série La Casa de Papel (Parte 1)
└ Análise da série La Casa de Papel (Parte 2)