Edith Finch é uma jovem de dezessete anos que decide descobrir a história de seus antepassados após a morte de sua mãe. Como herança, ela recebeu uma chave. Sem haver maiores detalhes no testamento, Edith decide ir até a casa da família Finch com o intuito de encontrar alguma utilidade para a chave.

A protagonista morou no local até os onze anos, mas não podia entrar na maioria dos cômodos da residência. Depois que seu irmão Lewis morreu, ela e sua mãe foram embora da casa e nunca mais retornaram lá. Todas as história são descritas por Edith em uma espécie de diário. À medida que o jogador caminha e interage com o ambiente, novas frases do diário da protagonista são exibidas no cenário.

O jogador começa a controlar Edith quando ela está na chegando propriedade de sua família. Ao passar pelo portão, existem dois caminhos para se chegar até a casa: seguir pela estrada convencional ou atravessar um pequeno bosque. Tudo parece muito normal até a protagonista conseguir interior do imóvel.

A misteriosa história da família Finch está totalmente preservada no local: andando pela casa, vamos descobrindo, aos poucos, os trágicos eventos que estão relacionados com os antepassados de Edith. Itens pessoais e o quarto dos falecidos estão em perfeito estado. Quando um Finch morria, a família lacrava o seu quarto, deixando-o exatamente como ele era quando o ente familiar ainda estava vivo. O olho mágico nas portas é a única forma de ver o interior desses cômodos. Com o surgimento de novas gerações, a casa ia aumentando o seu tamanho, o que acabou deixando-a com um estilo único e peculiar.

A chave que a mãe de Edith deixou para ela permite que a protagonista acesse ambientes que estão trancados por décadas. Conforme se vai explorando o local, Edith conhece as histórias envolvendo os seus parentes, fatos que foram ocultados por sua mãe quando ela ainda morava no local. Nesse momento é que What Remains of Edith Finch brilha: cada pessoa da árvore genealogia possui uma história única e o jogador tem a oportunidade de viver os últimos momentos de vida de cada um deles. Os eventos são bem varias e proporcionam diversas experiências de gameplay.

A grande maioria das histórias busca levantar reflexões sobre a vida, ainda que algumas das narrativas sejam bem esquisitas. Mesmo tendo um contato breve com cada um dos Finches, o jogador consegue criar empatia com os personagens. Chama atenção também a forma leve com que What Remains of Edith Finch consegue apresentar eventos extremamente trágicos: por incrível que pareça, é exatamente nesses momentos que o jogador consegue compreender o lado mais pessoal e íntimo de cada um dos Finches.

Em termos gráficos, o game apresenta um visual bonito e bem detalhado; em um primeiro contato, ambientação me fez lembrar de Gone Home. A trilha sonora está presente e varia de acordo com as situações que o jogador encara ao longo da aventura. Com câmera em primeira pessoa, a jogabilidade é extremamente simples: o jogador controla Edith por meio dos analógicos, interage com objetos do cenário com um botão e pode abrir, a qualquer momento, o diário com a árvore genealógica apertando outro botão.

Assim que se termina a aventura, é possível rejogar qualquer uma das histórias sem ter a necessidade de iniciar um novo jogo. O replay das histórias é interessante para rever alguma história ou pegar alguma conquista deixada para trás - não há muito o que se fazer além disso. Por ser um jogo com foco em narrativa, é muito bom ver que What Remains of Edith Finch está totalmente localizado em português. Encontrei dois pequenos erros de tradução ao longo da minha jogatina, mas nada capaz de afetar minha experiência final com o título.

Lançado originalmente em 2017, What Remains of Edith Finch foi desenvolvido pela Giant Sparrow e publicado pela Annapurna Interactive. O game está disponível para Womdows, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Esta análise foi feita com base na versão para Xbox One.


Considerações finais
Apresentando uma experiência linear e com foco total na narrativa, What Remains of Edith Finch é um jogo de nicho, não tendo a pretensão de atingir um enorme grupo de jogadores. Trata-se de um walking simulator, onde não há puzzles para serem superados. A experiência proporcionada pela história interativa é o ponto alto do game (e certamente é o que fará alguém a iniciá-lo).

Devido a ausência de desafios, o jogador acaba tendo uma progressão rápida e dificilmente viverá momentos monótonos ao longo da aventura. O game pode ser finalizado em cerca de duas horas. De fato é uma experiência bem curta, mas acaba tendo o seu fim no momento adequado. Por tudo o que entrega, What Remains of Edith Finch é um jogo obrigatório para fãs do gênero.

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente


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