Star Wars: A Ascensão Skywalker é o mais novo filme da aclamada franquia de fantasia e ficção cientifica que começou em 1977 e desde então já conquistou uma legião de fãs. Ascensão Skywalker é o último filme da trilogia iniciada pela Disney, junto do diretor J.J. Abrams, em 2015, e também será o último capítulo da história dos Skywalker, que foi contada em nove filmes em um período de 42 anos.

Antes de tentar concluir toda a saga, Star Wars IX foi em busca de corrigir várias decisões do episódio VIII. Em A Ascensão Skywalker podemos sentir com facilidade que parte dos planos originais para a conclusão da história foram absolutamente arruinados pelo oitavo filme, o que obrigou o nono capitulo a reservar grande parte de seu tempo para desconstruir alguns acontecimentos. Isso logicamente gerou reflexos no novo longa-metragem da Disney, já que parte do que parece ser a visão de J.J. Abrams sobre o que seria um oitavo filme está dentro do nono. A sensação que fica é que A Ascensão Skywalker deveria ter mais meia-hora para que seu enredo fosse melhor desenvolvido.

Na história do filme nos é revelado que o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), que supostamente havia sido morto por Darth Vader quando foi arremessado em um reator da estrela da morte, na realidade ainda conseguiu, de alguma forma, permanecer vivo e desde então esteve escondido junto da maior frota de Destroyers imperiais já vista na galáxia. Juntas, essas naves podem facilmente acabar com a resistência caso caiam nas mãos da primeira ordem. A partir disso, acompanhamos uma corrida insana da resistência em tentar descobrir o local onde está Palpatine e seus Destroyers, para assim impedir que a frota acabe sendo utilizada para colocar um fim definitivo ao pequeno grupo de pessoas que sobraram na resistência.

O filme retoma os mistérios deixados por Abrams em O Despertar da Força e que foram completamente ignorados por Rian Johnson, diretor de sua sequência. O retorno das ideias de Abrams gera uma certa credibilidade ao sétimo longa, ao mesmo tempo que causa alguns danos ao oitavo filme, já que uma nova história que abriu um caminho para um desfecho completamente diferente estava sendo contada ali. Apesar de ser uma sequência direta de Os últimos Jedi, algumas decisões feitas pelos roteiristas acabam por contradizer o desenvolvimento de personagens feito no filme anterior (mesmo que tenha uma pequena construção para as mudanças de personalidades de alguns personagens do filme anterior para este). Muito embora tenha havido esforços para readequar a história, é estranho ver personagens que mudaram tanto no episódio oito acabaram regredindo agora.

Não podemos esquecer que A Ascensão Skywalker é o fim de toda a saga de Star Wars. A tarefa de concluir a história em apenas um filme era gigantesca. Se ainda formos levar em conta que houveram inserções de novos personagens e a correção de erros do passado, o resultado final foi bem satisfatório. J.J. Abrams buscou ir além de apenas replicar a história dos filmes anteriores com leves alterações, e entregou uma aventura que mostra o quanto os envolvidos na produção entendem o que é necessário para um bom Star Wars (algo que até mesmo George Lucas acabou falhando nos episódio I e II, que foram massacrados pelos fãs e crítica). Mesmo com uma boa realização e ideias muito interessantes, este nono capitulo não pôde ir tão além, pois mesmo que fosse possível fazer algumas desconstruções de ideias apresentadas no filme anterior, Os últimos Jedi ainda continua sendo parte do cânone de Star Wars. Para que A Ascensão Skywalker fosse ainda melhor, grandes acontecimentos de seu antecessor teriam que ser quase que relegados; desconsiderar basicamente todas as grandes ideias do filme não seria uma decisão lá muito viável.

Se você parar para analisar este filme, tendo assistido toda a saga, é fácil identificar que algumas ideias aqui colocadas provavelmente nunca foram cogitadas por George Lucas. O fator surpresa é bom, mas acaba falhando em gerar uma conexão clara entre os outros filmes da saga. Mesmo assim, o longa conseguiu dar uma grande valorizada na trilogia, que desde o seu início, em 2015, vem sendo questionada sobre a necessidade de se produzir uma continuação para episódio VI. Em A Ascensão Skywalker não temos uma real justificativa para tudo acontecer, mas o filme acaba usando as ideias introduzidas por personagens nos episódios anteriores, que acabaram esquecidas, para mostrar que as coisas realmente não acabaram com o sacrifício de Darth Vader, o que até faz certo sentido. O filme desenvolve tão bem os seus personagens que você chega a se esquecer que só agora o trio de protagonistas realmente se juntou. A química entre os personagens é muito grande, o que certamente me fará sentir saudades de ver Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) juntos novamente.


Considerações finais:
O capítulo final da saga de Star Wars é uma conclusão extremamente satisfatória para a franquia, que mesmo com os problemas deixados pelos filmes anteriores, conseguiu corrigi-los até onde foi possível, entregando uma experiência familiar de guerra nas estrelas para os fãs; isso prova que a Disney entendeu qual é a essência de Star Wars. Ainda assim, a empresa desperdiçou a oportunidade de apresentar um domínio maior sobre a saga.

A Ascensão Skywalker faz algumas conexões inteligentes com elementos já estabelecidos em Star Wars, sejam eles nos filmes ou nos livros, mostrando que a conclusão original da saga (O Retorno de Jedi) pode não ter fechado tanto as pontas como fãs imaginavam. Mesmo jogando no seguro, o filme conseguiu colocar a trilogia nos eixos e ainda deu um fim digno a todos os novos personagens. A escolhas para readequar a trama interferiram diretamente no desenvolvimento do enredo: o ritmo do filme é muito acelerado e te impede de sentir o impacto de algumas revelações.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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