A história do bruxo Geralt de Rívia foi criada pelo escritor polonês Andrzej Sapkowski na década de 1990. Em 2001 e 2002, surgiram as primeiras adaptações para o cinema e a TV, respectivamente. O universo de The Witcher, no entanto, só veio a ficar mundialmente famoso após a lançamento de uma trilogia de jogos desenvolvida pela CD Projekt Red, cujo primeiro título foi lançado em 2007. The Witcher 3: Wild Hunt, vencedor de mais de 800 prêmios, é o que game que tem maior parcela no sucesso da franquia, tendo vendido mais de 33 milhões de cópias.

Apesar de serem baseados nos livros, os jogos seguiram caminhos próprios. Esta não foi a escolha feita por Lauren Schmidt Hissrich, criadora da série da Netflix, que buscou ser muito mais fiel a obra de Andrzej Sapkowski. Isso justifica algumas diferenças existentes entre os jogos e a série. A primeira temporada foi baseada nos dois primeiros livros da saga, que são uma compilação de contos. Antes mesmo do seu lançamento, a plataforma de streaming já havia encomendado a segunda temporada de The Witcher, o que indica que empresa está apostando alto na atração.

A história tem como ponto central três personagens: Geralt de Rivia (Henry Cavill), Yennefer de Vengerberg (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan). Muito embora suas origens sejam bastante distintas, o destino cuidou de reuni-los. Fazendo uso de três linhas temporais, que somente se encontram nos episódios finais, a série apresenta e desenvolve a história dos três personagens. A princípio esta escolha causa uma certa estranheza, mas as coisas vão se ajeitando no decorrer dos oito episódios.

Geralt é um bruxo que ganha a vida matando monstros e outras criaturas mágicas em troca de recompensas em dinheiro. Com sua espécie em extinção, Geralt não aceita qualquer tipo de serviço que lhe é proposto. Mesmo cumprindo contratos que chegam a beneficiar várias aldeias, a aceitação do bruxo pelas pessoas não é unânime. O ator Henry Cavil, que já revelou ter jogado The Witcher 3: Wild Hunt duas vezes e meia, encarnou muito bem o personagem; até mesmo o seu jeito de falar lembra o bruxo dos jogos.

Yennefer é uma feiticeira que, quando jovem, foi vendida pelo próprio pai em razão de sua condição física. Passando a frequentar uma escola de magia, Yennefer encontra meios para se tornar uma bela mulher, ainda que isso tenha lhe custado algo valioso. Ao lado de Cavil, a atriz Anya Chalotra também merece reconhecimento por seu ótimo trabalho na série. Por fim, Ciri é a princesa do reino de Cintra, que é governado pela rainha Calanthe (Jodhi May), sua avó. A história da jovem fica extremamente dramática quando Cintra é atacado por Nilfgaard e Ciri se vê obrigada a fugir de seu lar.

Em toda série medieval, o aspecto visual sempre tem um papel muito importante. Quando ainda há magia envolvida, as exigências acabam sendo ainda maiores. The Witcher nos apresenta lindas paisagens e excelentes cenas de ação, com destaque para as lutas de espada de Geralt; as habilidades do buxo também são bem executadas (o sinal Aard ficou bem semelhante ao do jogo). Já os demais momentos em que a magia aparece na série são bons: temos cenas bonitas, mas nada muito espetacular. O ponto negativo fica por conta da caracterização de algumas criaturas, como os elfos. Os personagens não chegam a ser mal feitos, mas percebe-se claramente que não houve grandes investimentos para suas construções.


Considerações finais
A criação de adaptações, em qualquer tipo de mídia, sempre exige um grande trabalho por parte daquele que é a cabeça do projeto. A primeira temporada de The Witcher cumpriu muito bem o seu papel de introduzir ao telespectador aos personagens e conflitos políticos existentes no Continente, universo em que a série é ambientada. A existência de três linhas temporais e a grande quantidade de nomes de reinos e personagens pode, em um primeiro momento, deixar novatos na saga do bruxo Geralt de Rívia confusos, mas bata ter persistência que é possível compreender a história sem fazer grandes esforços.

Mesmo não contando com os efeitos visuais mais bonitos já vistos em séries de TV, a atração da Netflix tem uma boa direção de arte, que entrega ótimas cenas ao longo dos oito episódios. As atuações de Henry Cavill e Anya Chalotra são os grandes destaques da temporada de estreia. A série tem um futuro muito promissor e a showrunner Lauren Schmidt Hissrich demostrou ter compreendido bem a essência das obras Sapkowski. Como a segunda temporada deve ser mais linear, é esperado que a história se desenvolva com maior naturalidade. Vamos aguardar e ver o que vem por aí.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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