Atenção! O texto a seguir contém spoilers da segunda temporada de Mr. Robot.

O terceiro ano de Mr. Robot inicia mostrando os desdobramentos do final da temporada passada, quando Tyrell (Martin Wallström) teve que tomar uma medida drástica para impedir que Elliot (Rami Malek) arruinasse a continuidade do estágio dois. Desesperado com o que havia feito, o sueco recebe a ajuda de Irving (Bobby Cannavale), um agente do Dark Army que passa a ter presença recorrente na série. No alto escalão da operação, Zhang/Whiterose (BD Wong) acredita que Elliot ainda pode ser útil para seus planos, enquanto Grant (Grant Chang) pensa que o hacker já cumpriu a sua parte, razão pela qual eles não precisam mais presenciar as suas maluquices.

Agora, sabendo do que se tratava o estágio dois, Elliot vai fazer de tudo para impedir a explosão de um dos prédios da E Corp. O alvo do atentado mantinha os programas de recuperação da companhia e estava recebendo documentos vindos de todas as partes dos Estados Unidos. A ideia da empresa era reconstruir o seu banco de dados com base nos registros em papel que ainda existiam, ou seja, uma tentativa de mitigar os efeitos do grande golpe que eles sofreram. Para evitar a tragédia que estava sendo planejada, o protagonista até começa a trabalhar na empresa que ele tanto odiava, já que dentro das suas instalações seria mais fácil gerenciar as coisas. O plano de Elliot é fechar o backdoor e cortar o acesso do Dark Army à rede da E Corp, mas os interesses divergentes de Mr. Robot (Christian Slater) acabam sendo um obstáculo para que o hacker realize o que deseja. Essa disputa entre Elliot e Mr. Robot gera alguns bons momentos ao longo dos episódios.

As duas pessoas mais próximas de Elliot agora possuem interesses completamente distintos. Depois que a agente Dominique DiPierro (Grace Gummer) mostrou para Darlene (Carly Chaikin) parte das informações que o FBI tinha sobre a fsociety e o ataque de nove de maio, ela se torna uma informante e tenta descobrir a localização de Tyrell. Darlene também faz de tudo para encontrar uma forma de proteger o irmão. O trabalho de DiPierro não será fácil, já que o Dark Army possui um infiltrado dentro do seu departamento. Já Angela (Portia Doubleday) parece ter passado por uma lavagem cerebral, após sua conversa com Whiterose, e se mostra extremamente leal aos planos do grupo chinês.

Questões envolvendo geopolítica também marcam presença na trama. Enquanto Phillip Price (Michael Cristofer) quer que a China abandone o Bitcoin e adote a Ecoin como moeda virtual, Zhang quer que os Estados Unidos apresentem na ONU um voto favorável à anexação do Congo pela China. Independente de qual seja o resultado, Whiterose ordena que o estágio dois aconteça no dia da votação. O apoio do Dark Army a candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos também ganha um pequeno espaço. O criador da série, Sam Esmail, sabe muito bem fazer ligações entre a realidade e a ficção. Vale lembrar que anteriormente a atração já fez uso de discursos em que o presidente Barack Obama menciona a fsociety.

Enquanto o primeiro ano de Mr. Robot foi excelente, a série deu alguns pequenos tropeços na segunda temporada e felizmente não os repetiu na terceira. Sem utilizar a já conhecida tática de tentar enganar e surpreender o espectador com alguma coisa, temos episódios consistentes e sem nenhum tipo de enrolação. Ouso dizer que a série atingiu o seu grau máximo de tensão no decorrer dessa temporada, graças aos vários eventos relevantes e as reviravoltas surpreendentes.

Além da ótima season finale, temos dois outros episódios que merecem destaque. No capítulo cinco, "eps3.4_runtime-error.r00", filmado quase que em plano sequência, acompanhamos de perto momentos intensos envolvendo os personagens Elliot e Angela no prédio da E Corp. A forma com que as cenas foram produzidas e o altíssimo primor técnico fizeram a USA Network transmitir o episódio de forma contínua, sem intervalos para comerciais. O resultado é tão bom que conseguimos sentir de perto todo o caos em que esses dois personagens estavam inseridos. Já no capítulo seis, "eps3.5_kill-process.inc", vemos o dia da execução do estágio dois e as ações de Elliot para tentar impedi-lo. Além das adversidades, ele precisa lutar contra si próprio para conseguir seguir em frente.


Considerações finais
Mr. Robot atingiu o seu grau de maturidade neste terceiro ano. Se no passado a série já demonstrou ousadia, vide o episódio de comédia da temporada passada, aqui a atração não perde a sua essência e ainda é capaz de aprimorá-la. O diferencial está no fato de Sam Esmail, que mais uma vez dirige todos os episódios, executar tudo com muito mais primor e cuidado, o que consequentemente eleva o padrão técnico da série. O mais incrível é que cada episódio possui suas características e identidades próprias, e no fim as coisas se encaixam perfeitamente. Some a isto a excelente atuação de todo o elenco.

A história se mostra intensa do início ao fim. Os diferentes interesses das pessoas que cercam Elliot, e a sua própria luta contra o Mr. Robot mais uma vez fazem o personagem ficar um pouco perdido, mas nada comparado ao que vimos na segunda temporada. Ao longo dos dez episódios, o protagonista toma consciência de que o ataque hacker de nove de maio não teve o efeito que ele esperava: ao invés de melhorar a vida das pessoas, as coisas acabaram se tornando muito mais difíceis, ao passo que a E Corp e o Dark Army foram as únicas partes que saíram ganhando. Esse é um fator essencial para a progressão do personagem, que agora precisa mais uma vez agir de forma direta e incisiva.

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente


Veja mais sobre Mr. Robot:
└ Análise da série Mr. Robot (1ª temporada)
└ Análise da série Mr. Robot (2ª temporada)

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