A série Wolfenstein já deixou há tempos sua marca na história dos videogames. Seu início se deu em 1981, com um jogo de ação e aventura em stealth. Em 1992 foi lançado Wolfenstein 3D, game que foi responsável por popularizar o gênero de tiro em primeira pessoa, além de ter ditado tendência para os jogos de ação que chegariam ao mercado nos anos seguintes.

Apresentando jogabilidade e gráficos renovados, Wolfenstein: The New Order é o sétimo jogo da série. A narrativa do game se inicia em 1946, momento em que o jogador assume o controle do soldado estadunidense William Joseph Blazkowicz durante uma missão na costa da Alemanha. Quando tentam invadir uma enorme fortaleza controlada pelo General Calavera (Totenkopf), os soldados são capturados e Blazkowicz se vê obrigado a fazer uma difícil escolha moral. Momentos depois, uma grande explosão ocorre e um pedaço de metal atinge a parte traseira da cabeça do protagonista. Entrando em estado vegetativo, Blazkowicz é levado até um asilo psiquiátrico na Polônia.

Ao retomar sua consciência em 1960, o soldado encontra um mundo completamente dominado pelos nazistas. A Alemanha conseguiu desenvolver tecnologias extremamente avançadas e as forças do Eixo acabaram derrotando os Aliados. Os Estados Unidos se renderam depois que os nazistas bombardearam o país. A resistência tinha acabado e todos os seus membros foram capturados e levados para a prisão Eisenwald, em Berlim. No meio de todo esse caos, Blazkowicz tentará executar um plano para libertar seus aliados, combater as tropas nazistas e executar Calavera.

Essa realidade paralela é ricamente explorada dentro do jogo. Andando pelos cenários, o jogador facilmente encontrará recortes de jornais apresentando notícias sobre o avanço do domínio da Alemanha no mundo. Os Beatles, por exemplo, mudaram de nome a agora cantam suas músicas em alemão. Mesmo sendo um jogo linear, o que teoricamente não favorece a exploração, existem muitos segredos e coletáveis escondidos pelo mapa, o que servirá como uma atividade secundária para quem almeja os 100% de conclusão.

Durante a execução das missões, o jogo oferece ampla liberdade para o jogador. Salvos momentos específicos da campanha, The New Order permite que o jogador escolha como vai agir contra os inimigos: é possível eliminar os soldados e cães nazistas furtivamente, utilizando facas e pistolas com silenciador, ou chegar atirando em todo mundo. Independente da abordagem escolhida, é preciso que você saiba que algumas áreas contam com comandantes. Caso alguém aviste Blazkowicz, se houver algum comandante vivo na área ele chamará reforços. Com um arsenal variado, o jogo permite que se utilize pares de armas, uma em cada mão; apesar de perder precisão, o dano aumenta consideravelmente.

Blazkowicz conta com um indicativo de vida no canto da tela. A vida do personagem se regenera automaticamente em múltiplos de 20. Explico: se o jogador sofrer um dano e sua vida for parar em 53, ela regenerará até 60. Para recuperar a vida total é preciso coletar kits médicos, da mesma forma que é possível fazer uma sobrecarga de vida com com os kits (sendo que ela diminui uma unidade a cada segundo, até atingir o máximo de vida do jogador). No jogo, iniciamos com 100 pontos de vida, que podem ser aumentados até 200 coletando pequenos soldados espalhados pelo cenário. Também é possível se equipar com colete, ou construir escudos com peças/equipamentos dos oponentes.

A jogabilidade segue o padrão visto em outros jogos de FPS. O jogador pode fazer a alternância de duas armas com um simples botão, podendo escolher outros armamentos em uma roda de armas. É possível agachar e correr. Ao se aproximar de paredes, caixas e outras estruturas, Blazkowicz automaticamente entra em cover. O jogo possui uma espécie de árvore de habilidades, que desbloqueia novas mecânicas dependendo das ações que o jogador executa na campanha. Uma coisa que me incomodou na jogabilidade foi a localização do botão de correr, que é ativado pressionando o analógico esquerdo. Tive dificuldades em controlar a direção e fazer com que o personagem corresse ao mesmo tempo. O problema só foi solucionado quando remapeei o botão de correr para um dos pedals do meu controle.

A inteligência artificial dos inimigos varia. A grande maioria deles entram automaticamente em cover e tentam te cercar, mas existem alguns que parece que se perdem no mapa e ficam quase que parados. Visualmente, o jogo apresenta cenários bonitos e detalhados. A ambientação é bem variada e o jogo não poupa o jogador de cenas pesadas, levando-o a presenciar campos de tortura e experimentos químicos com humanos. A trilha sonora e os sons das armas também merecem elogios. A dublagem é muito bem-feita, apresentando algumas falas em alemão e polonês. Eu percebi pequenos problemas de sincronia labial, mas nada que afetasse a experiência com o título. Infelizmente o jogo não está disponível em português.

Desenvolvido pela MachineGames e publicado pela Bethesda Softworks, Wolfenstein: The New Order foi lançado em 2014 para PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 3, Xbox 360 e Windows. Esta análise foi feita com base na versão para Xbox One.


Considerações finais
Levando o jogador para vivenciar uma realidade alternativa (e de certa forma futurista) após segunda guerra mundial, Wolfenstein: The New Order entrega uma experiência muito agradável. Mesmo não sendo inovador, o game executa muito bem aquilo que se propõe a fazer. The New Order tem foco total no single player, o que permitiu que o estúdio trabalhasse bem no universo em que ele é ambientado. Os cenários são bonitos e a jogabilidade é bem fluida.

Durante a progressão, existem alguns momentos que provocam uma quebra de ritmo em prol do desenvolvimento da história. Não é algo que me incomodou, já que o game demonstra desde cedo que possui grande apelo para a narrativa, mas é um detalhe que certamente não agradará os jogadores mais impacientes. A variação de ambientes e missões contribuem para que o jogo não se torne muito repetitivo.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo