Imagine uma realidade onde as pessoas conseguem invadir e compartilhar os sonhos uma das outras. Ou então que uma pessoa seria capaz de criar um ambiente tridimensional para ambientar os seus sonhos ou os sonhos de outras pessoas. Ou algo mais ousado, como fazer germinar nos sonhos de terceiros uma ideia que poderá vir a ser colocada em prática pela pessoa quando ela acordar. É muita ficção científica, não é mesmo? Essa é a estrutura básica do filme A Origem (no original, Inception), dirigido por Christopher Nolan e lançado em 2010.

Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são especialistas em uma técnica de invadir o sonho das pessoas e roubar ideias escondidas dentro da mente humana. Como eles próprios descrevem, quando uma pessoa está sonhando, suas defesas conscientes estão mais baixas, deixando seus pensamentos vulneráveis a um roubo. Todo esse processo é conhecido como extração. Melhor do que explicar a teoria é colocá-la em prática, e é assim que eles fazem ao tentar invadir a mente do empresário japonês Saito (Ken Watanabe).

Apesar de ficar impressionado com o que Cobb e Arthur são capazes de fazer, Saito estava atrás de algo um pouco mais complexo: ao invés de uma extração, ele quer fazer uma inserção no sonho de uma pessoa: o herdeiro do seu principal concorrente comercial. Com a saúde de Maurice Fischer (Pete Postlethwaite) muito debilitada, seu filho Robert Fischer (Cillian Murphy) deve assumir em breve o controle da corporação. Saito quer que Robert desconstrua todo o patrimônio de seu pai, eliminando assim o seu principal concorrente.

O empresário japonês sabe que Cobb enfrenta problemas legais nos Estados Unidos relacionados com sua ex-mulher, Mal (Marion Cotillard), impedindo-o de ter contato físico com os filhos. Apesar dos riscos, por ser a inserção um processo muito mais complexo do que a extração, Cobb acaba aceitando o trabalho em troca de Saito conseguir um passe-livre para ele retornar aos EUA e reencontrar seus filhos. Para trabalhar nesse audacioso plano, Cobb agora precisa montar uma equipe de respeito para, no momento certo, agir e tentar conseguir aquilo que almeja. Foi assim que ele conheceu Ariadne (Ellen Page), uma estudante de arquitetura recrutada para construir cenários para os sonhos.

No início do filme, toda essa teoria do sono me pareceu muito complexa, mas após o seu desfecho, e reasssistindo algumas cenas do começo do longa, percebi que na verdade as coisas são bem simples. O próprio filme, ao longo de suas 2 horas e 28 minutos, faz questão de fornecer todos os detalhes para que o espectador entenda tudo o que está acontecendo. Enquanto estão no "mundo dos sonhos", todo tipo de dor sentida é realmente sentida pela pessoa. Morrer durante um sonho significa que você acordará. Existem, no entanto, riscos durante todo esse processo, sobre os quais não me adentrarei para não estragar a experiência daqueles que ainda não assistiram ao filme.  Para completar, o tempo no sonho é diferente do tempo no mundo real e é possível criar várias camadas nos sonhos (um sonho dentro de outro sonho). Quanto mais complexo é o procedimento, maiores são os riscos.

Outro destaque de A Origem são os seus efeitos visuais e suas cenas de ação e perseguição. Paisagens que se dobram como se fossem folhas de papel e cenários que vão se desintegrando quando uma pessoa está prestes a acordar impressionam muito pela altíssima qualidade técnica empregada. Em um momento específico do longa temos cenas com gravidade zero, que são tão bem executadas quanto aquelas que mencionei anteriormente. O filme também está repleto de ótimas cenas de ação, incluindo tiroteios e perseguições.


Considerações finais
Christopher Nolan demorou vários anos para colocar em prática sua ideia para o filme A Origem. Julgando que precisava de mais experiência para produzir uma película desse calibre, Nolan e a produtora Emma Thomas deixaram a ideia em stand by e focaram seus esforços na produção dos longas Batman Begins, O Grande TruqueBatman: O Cavaleiro das Trevas. Com os sucessos alcançados, eles descongelaram e concluíram o projeto. Essa estratégia acabou dando muito certa e refletiu em um filme de altíssimo nível.

Com uma história que é mais simples do que parece, A Origem encanta por ser envolvente e conseguir lidar muito bem com o seu universo de ficção científica. Tudo é muito bem detalhado para evitar a existência de pontas soltas na história. O desfecho é satisfatório e intrigante, podendo gerar mais de uma interpretação, o que não chega a ser ruim ante a proposta do filme. Para concluir, temos uma belíssima fotografia, excelentes efeitos visuais e um elenco de peso. Contestado por alguns críticos na época do seu lançamento, o longa-metragem acabou se tornando um classico cult.

Nota
★★★★★ - 5 - Excelente


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