O que acontece quando um nazista disfarçado acaba sendo descoberto? Ele mata todos os que estão ao seu redor, inclusive sua família. Isso é o que acontece nas cenas iniciais de Hunters, série criada por David Weil para o Amazon Prime Video. A atração não poupa detalhes em mostrar toda a crueldade praticada por seguidores do nazismo, razão pela qual classificação etária dos episódios varia entre 16 e 18 anos.

Com do fim da Segunda Guerra Mundial, uma série de nazistas do alto escalão foram contratados secretamente pelo governo dos Estados Unidos. A ideia era usá-los como espiões, cientistas, engenheiros e no que mais fosse necessário. Foi uma ação rápida para impedir que os Soviéticos utilizassem da inteligência dos oficiais alemães no período que viria a ser conhecido como Guerra Fria. Isso justifica o fato de uma cientista nazista, que foi morta no começo da temporada, estar trabalhando na CIA. Agora, em um novo território, os criminosos de guerra e seus simpatizantes estão conspirando para a criação de um Quarto Reich. Quando o banqueiro Meyer Offerman (Al Pacino), sobrevivente do holocausto, descobre que existem nazistas vivendo como cidadãos comuns nos EUA, ele decide criar um grupo de caçadores para colocar um fim nos simpatizantes do cruel regime alemão.

Ambientada no ano de 1977, Jonah Heidelbaum (Logan Lerman) é um jovem judeu que mora no Brooklyn, em Nova York, junto com sua avó, Ruth (Jeannie Berlin), uma das sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz. Em uma noite, alguém invade sua casa e mata Ruth com um tiro. No velório de sua avó, Jonah conhece Meyer e os demais membros do grupo dos caçadores, formado majoritariamente por judeus. São dessas pessoas que ele passa a receber apoio agora que ficou sozinho no mundo. Com o passar dos episódios, Jonah descobre que sua avó também estava envolvida no projeto de Meyer; embora Ruth sempre tenha mantido seu neto longe dos seus planos secretos, Jonah contraria o desejo da avó e se torna o mais novo integrante dos caçadores de nazistas.

Como não viveu o holocausto, Jonah acaba ficando grande parte da série um pouco deslocado dentro do grupo, enquanto grande parte tinha questões sentimentais que motivam sua luta. Isso fica bem nítido quando Jonah compara situações do grupo com histórias em quadrinhos ou quando ele sente dó daquilo que eles estavam fazendo com um dos seus alvos. Além de Meyer e Jonah, o grupo é formado pelo casal Murray (Saul Rubinek) e Mindy (Carol Kane), especialistas em comunicações; o ator de cinema Lonny Flash (Josh Radnor), que fez alguns filmes de sucesso e é o mestre dos disfarces do grupo; Joe Torrance (Louis Ozawa Changchien), um ex-soldado da guerra do Vietnã; ativista negra Roxy Jones (Tiffany Boone); e a irmã de caridade Harriet (Kate Mulvaney). Dentre todos os personagens do grupo, Meyer e Harriet são os que apresentam as histórias mais interessantes.

Do outro lado da história, os destaques ficam por conta de três personagens. Quem comanda toda a operação nazista é a Coronel (Lena Olin), uma alemã que sente orgulho de todos os feitos de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Outro nome importante para a operação é Biff Simpson (Dylan Baker), oficial alemão que se infiltrou no alto escalão do governo estadunidense e tem como missão principal fazer com que os Estados Unidos retire as sanções impostas aos países latino-americanos, em especial a Argentina, que possui sua relevância dentro da história. Por fim, Travis Leich (Greg Austin), ao contrário dos outros, nasceu nos Estados Unidos e é capaz de fazer qualquer coisa para tirar do caminho aqueles que estão atrapalhando os planos dos seus aliados; o psicopata é o melhor antagonista da história No meio do confronto entre os caçadores e os nazistas está a agente do FBI, Morris (Jerrika Hinton), que começa a investigar a morte de alguns alemães e posteriormente passa a perseguir os dois grupos. A agente cresce ao longo da história e acaba sendo vítima de uma série de preconceitos. É nela que se concentra muitas das críticas sociais da atração.

Embora conte com comoventes cenas de flashbacks (com algumas delas gerando polêmicas na mídia) a atração peca na construção de sua história no presente. Os caçadores conseguem facilmente uma série de informações sobre os seus próximos alvos, mas o processo para o levantamento dos dados não é mostrado. As informações simplesmente chegam nas mãos dos personagens, quase que de uma forma instantânea, situação que se repete várias vezes ao longo dos episódios. Isso acabou deixando a história muito superficial e repetitiva, afinal, como tantos dados secretos eram levantadas de forma tão rápida no final da década de 1970? Outro destaque negativo é o desenvolvimento dos personagens: os roteiristas nitidamente escolheram quais nomes do grupo dos caçadores iriam receber uma construção mais trabalhada, enquanto os outros acabam ficando quase que em segundo plano. A julgar pelo tamanho dos episódios, com o primeiro tendo 90 minutos e os outros nove ficando na casa dos 60 minutos, era esperado um melhor desenvolvimento dos personagens e uma história mais rica em detalhes, afinal, tempo não foi o problema.


Considerações finais
A primeira série em que Al Pacino possuiu um papel regular é uma mistura de muitas coisas, mas nem todas funcionam bem. Tentando mesclar humor com uma história dramática inconsistente, Hunters buscar um lado mais descontraído na cultura nerd, fazendo referências a Batman, Star Wars e Sherlock Homes - o que pareceu ser uma tentativa legal de criar referências, no fim das contas não acrescenta absolutamente nada para a história. A repetição exaustiva da fórmula "informações secretas 'instantâneas' + plano de assassinato + execução dos nazistas" faz com que a série fique rapidamente repetitiva, apesar de ainda despertar a minha curiosidade de saber qual seria o desfecho daquilo tudo.

Hunters também possui seus lados positivos: o elenco desempenha um ótimo trabalho, a direção surpreende o telespectador com tomadas de câmeras ousadas, a trilha sonora é muito boa (e com presença de Tim Maia) e o trabalho de caracterização de época é muito bem executado. Embora existam falhas na história, a atração da Amazon conta com boas reviravoltas, principalmente na sua reta final, com revelações importantes envolvendo seus personagens principais. O desfecho, embora abuse de teorias das conspirações, acabou me surpreendendo; a cena final foi algo que eu definitivamente nunca esperei ver na história. A série tem sim uma proposta interessante, mas precisa de alguns ajustes em uma eventual segunda temporada.

Nota
★★★☆☆ - 3 - Bom


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