Ao começar a assistir Billions, eu imagino que você, assim como eu, nunca imaginou que um dia Chuck Rhoades (Paul Giamatti) e Bobby Axelrod (Damian Lewis) poderiam se tornar amigos. Pois é, o panorama mudou! A terceira temporada da série uniu seus dois protagonistas pela primeira vez no caso da Ice Juice. Depois, no final da temporada, quando ambos sofreram duros golpes, eles mais uma vez se encontraram pessoalmente para trocar ideias, desta vem em um jantar na casa do ex-procurador federal do distrito sul. Wendy Rhoades (Maggie Siff) certamente usou toda a sua experiência para colocar os dois do mesmo lado. Ao ser demitido do Ministério Público, Chuck não tem mais motivos para perseguir Axelrod.

Ainda recapitulando os eventos da temporada passada, Rhoades acabou tendo que abrir mão da sua candidatura ao cargo governador do estado de Nova York. Agora que está fora do serviço público, Chuck almeja recuperar a influência e o poder que lhe foram tirados. Para isso, ele traça um plano ousado: voltar a ocupar uma cadeira no Ministério Público, desta vez como procurador geral do estado de NY. Ele então entra em jogo político para conseguir o apoio necessário para lançar sua candidatura de procurador. Quando o assunto é conseguir votos, Rhoades não poupa nem mesmo sua intimidade conjugal e acaba tornando público sua relação de sadomasoquismo com Wendy. A jogada foi inteligente e lhe rendeu a vitória, mas acabou causando um enorme terremoto no seu casamento.

Apesar da vitória, Chuck não vai ter paz; ao tomar posse do cargo, ele descobre que as coisas não serão tão fáceis quanto imaginava. Some a isso a série de favores que ele agora deve para as pessoas que o apoiaram, o que deixa sua situação ainda mais delicada. E ainda não chegamos no fundo do poço... Seu pai, Chuck Sr. (Jeffrey DeMunn), está disposto a construir em um terreno, mas alguns problemas legais acabam atrapalhando o início das obras. Chuck Sr., como de costume, recorre ao filho para que ele utilize os privilégios do seu cargo para tentar solucionar sua situação. Acontece que Bryan Connerty (Leonard Moore) e o procurador geral dos Estados Unidos, Waylon Jeffcoat (Clancy Brown), estarão na cola dos dois, esperando apenas um deslize para partirem para o ataque.

No outro lado da história, o novo inimigo declarado de Axelrod é Taylor Mason (Asia Kate Dillon), que abandonou a Axe Capital e fundou a Taylor Mason Capital. Durante toda a temporada temos uma disputa envolvente, com Bobby e Taylor traçando planos mirabolantes, um contra o outro, no mercado financeiro. Bobby tem vantagem por ter uma quantia muito maior de dinheiro para fazer jogadas, ao passo que Taylor precisa pensar no futuro do seu fundo. No entanto, a mente brilhante de Taylor equilibra a disputa e leva Bobby ao limite, fazendo com que o bilionário tome ações que comprometem até mesmo a sua vida pessoal, tudo para alimentar seu sentimento de vingança.

Se dentre todos os personagens principais Wendy, até então, se mostrava ser a mais íntegra, desta vez a psiquiatra e coach entrou no ringue para lutar a favor de Axelrod. Com o seu casamento indo de mal a pior, Wendy concentra praticamente toda a atenção na Axe Capital e passa a participar do jogo sujo de seus colegas de trabalho. Recusando uma proposta para ir trabalhar na Taylor Mason Capital, a Dra. Rhoades usa tudo o que sabia sobre Taylor (confidencialidade médico-paciente, diga-se de passagem) para tentar manipulá-lo. Quando percebe todas as cartas que estão na mesa, Taylor faz questão de não deixar barato. A repulsa é forte e atinge em cheio o alvo.

Se tem algo que Billions sabe fazer muito bem é entregar excelentes finais de temporada. Felizmente dessa vez não foi diferente e a atração do Showtime apresentou para o público um desfecho completamente elaborado, explicando, passo a passo, as etapas que conduziram àquilo que foi apresentado. Isso denota o quão bem escrito é o roteiro da série, que sempre é capaz de nos surpreender com ótimas reviravoltas. De quebra, ainda temos um gancho que nos dá uma pequena ideia sobre como a série caminhará em sua quinta temporada.


Considerações finais
Com um novo panorama instaurado, Billions mais uma vez cumpriu aquilo que vem fazendo bem desde a sua estreia: apresentar uma narrativa bem escrita e repleta de surpresas. Embora não tenhamos um confronto direto entre Chuck e Bobby, os criadores da série, Brian Koppelman, David Levien e Andrew Ross Sorkin, entregaram uma temporada que em nada deixa a desejar quando comparada com os seus anos anteriores. As disputas entre Axelrod e Taylor são ótimas, assim como os eventos relacionados às questões enfrentadas por Chuck. O objetivo sempre é nocautear o oponente.

Diálogos marcantes, planos minuciosamente arquitetados e atuações excepcionais são os principais pontos positivos. Enquanto os novos personagens foram bem inseridos na história, eu senti falta de uma presença maior de Lara (Malin Akerman), que aparece em um único episódio (muito pouco para uma personagem que já teve uma certa relevância em temporadas anteriores).

O problema presente nas temporadas anteriores mais uma vez se repete: temos alguns episódios arrastados, com desenvolvimento lento. A verdade é que tornar doze capítulos (com mais de cinquenta minutos cada) dinâmicos o tempo todo é um desafio muito grande. Por outro lado, cada pequeno acontecimento tem a sua importância na trama, o que acaba compensando.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo