Nas temporadas anteriores, o detetive Harry Ambrose (Bill Pullman) já demonstrou ter um grande envolvimento com os casos em que assume a titularidade da investigação. Mesmo tendo suas condutas questionadas mais de uma vez por seus colegas de trabalho, a forma com que lidou com os casos de Cora Tannetti e Julian Walker tornou o seu trabalho prestigiado. Acontece que desta vez Ambrose pode ter ido longe demais.

A história da terceira temporada de The Sinner é introduzida com acidente de carro envolvendo Jamie Burns (Matt Bomer) e seu antigo amigo de faculdade, Nick Haas (Chris Messina). Ao colidir em uma árvore, Nick vem a falecer no local, antes do resgate ser chamado, ao passo que Jamie saiu praticamente ileso. O curioso é que a estrada em que o acidente aconteceu servia única e exclusivamente para dar acesso à residência da artista Sonya Barze (Jessica Hecht). O que os dois estariam fazendo durante a madrugada naquele lugar?

Jamie é casado com Leela Burns (Parisa Fitz-Henley) e os dois estão prestes a ter seu primeiro filho. Ele é professor do ensino médio e ela proprietária de uma loja. Ao se formar na faculdade, Jamie nunca mais teve nenhum tipo de contato com Nick. Dezoito anos depois, ele liga para seu antigo amigo para que eles pudessem se encontrar; Jamie queria que ele o ajudasse a reencontrar um propósito para sua vida. Nick então aparece de surpresa na casa de Jamie, como se fosse um entregador da Amazon, ocasião em que conhece a residência e a esposa do amigo. Esse, no entanto, não foi o primeiro encontro que eles tiveram desde que Nick tinha chegado à cidade.

 Ao longo dos oito episódios, descobrimos que os dois tinham uma relação muito profunda, intensa e sombria. Tudo é baseado no conceito de "Übermensch" (ou “além-do-homem”, em português), do filósofo Friedrich Nietzsche, ideal em que o homem deve superar-se a si mesmo em busca do seu potencial absoluto, alcançado através do auto aperfeiçoamento. "Aquilo que não me mata, só me fortalece", frase dita por Nietzsche, parece ser o norte do vínculo existente entre Jamie e Nick: a amizade dos dois é pautada em uma série de riscos, conforme revelam os flashbacks. Os dois começam então um jogo perigoso que culmina com aquilo que é retratado no começo da série, o acidente de carro. Se antes Jamie já estava enfrentando algum tipo de problema, sua situação fica ainda pior, já que ele começa a ver Nick constantemente, deixando o seu psicológico ainda mais abalado.

Analisando o local em que o carro colidiu com a árvore e escutando o que Jamie tinha a dizer sobre o ocorrido, Ambrose começa a desconfiar que o professor estava ocultando algo; para o detetive, aquele não era um mero acidente, mas sim um homicídio. Quando a polícia encontra provas que contradiziam algumas das declarações de Jamie, Ambrose tenta se aproximar dele com o intuito de descobrir o que realmente teria acontecido naquela noite - momento em que o detetive começa a percorrer um caminho perigoso. Da mesma forma que Nick exercia uma forte dominação sobre Jamie, Jamie começa a manipular Ambrose, levando o detetive ao extremo.

Outra personagem que parece não ter muita noção do perigo que Jamie representa é Sonya. Desde que o acidente aconteceu na sua propriedade, a artista parece ter adquirido algum tipo de obsessão com Jamie, seguindo-o pela cidade e fazendo registros fotográficos, tudo para que ela pudesse pintar um quadro dele. Como se isso já não fosse o suficiente, quando Jamie vai visitá-la, Sonya pede para tirar algumas fotos dele sem roupa. No curso da investigação, Sonya também começa a se envolver amorosamente com Ambrose. Mais um detalhe que vale a pena ser destacado é a presença da filha e do neto do detetive, que pela primeira vez apareceram na série.


Considerações finais
Tomando como base as temporadas anteriores, principalmente a segunda, fica nítido que o detetive Harry Ambrose não teve uma infância muito tranquila. Apesar dos seus problemas pessoas, ele até então vinha se mantendo bem coerente no exercício do seu trabalho. A situação muda de panorama na terceira temporada, quando Ambrose se depara com uma pessoa talvez tão complexa como ele, ao mesmo tempo em que vê sua família envolvida no meio do caso. É elogiável a tentativa de Derek Simonds, criador da atração, em tentar renovar a série a cada temporada introduzindo novas temáticas e abordagens. O problema da terceira temporada de The Sinner é que a investigação policial acaba ficando em segundo plano, dando espaço para uma história que busca retratar dilemas psicológicos e filosóficos.

O episódio de estreia é muito bom e cumpre o papel de deixar o espectador intrigado com a narrativa. Na sequência, temos um desenvolvimento lento da história, que também não se mostra tão elaborada. A verdade é que The Sinner até agora não conseguiu repetir o êxito de sua temporada de estreia. O elenco trabalha muito bem, com destaque especial para Bill Pullman e Matt Bomer. É perceptível a transformação que o personagem Jamie sofre ao longo dos oito episódios. A fotografia segue muito bonita e direção mais uma vez é bem executada. Para finalizar, deixo registrado que esse foi o pior final de temporada da série até então.

Nota
★★★☆☆ - 3 - Bom


Veja mais sobre The Sinner:

➜ Você pode ver análises de outras séries clicando aqui.