Em 1968, querendo aumentar a presença dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o presidente Lyndon B. Johnson convoca quase quatrocentos mil homens, com idade entre 18 e 24 anos, para lutarem no conflito armado. Assim como a quantidade de militares aumentava, o número de soldados estadunidenses mortos era cada vez maior. Revoltados com o envolvimento dos EUA na guerra, diferentes grupos decidem se reunir na cidade de Chicago, em agosto, quando seria realizada a Convenção Nacional Democrata. Aproveitando toda a cobertura que seria feita pela mídia, a ideia era manifestar contra a postura que estava sendo adotada pelo governo.

Rennie Davis (Alex Sharp) e Tom Hayden (Eddie Redmayne), líderes dos Estudantes para uma Sociedade Democrática; Jerry Rubin (Jeremy Strong) e Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), líderes do Partido Internacional da Juventude; David Dellinger (John Carroll Lynch), líder da Mobilização para o Fim da Guerra no Vietnã; Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II), presidente nacional do Partido dos Panteras Negras; John Froines (Daniel Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins) foram algumas das várias pessoas que compareceram ao protesto. A diferença é que, cinco meses depois, eles foram acusados de conspiração para cruzar fronteiras estaduais com a intenção de incitar violência. A trama de Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7, no original) é pautada nesses acontecimentos.

Toda essa história tem origem em um plano orquestrado pelo procurador-geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark (Michael Keaton), recém empossado no cargo. Em uma análise preliminar, os promotores federais Tom Foran (JC MacKenzie) e Richard Schultz (Joseph Gordon-Levitt) não haviam encontrado evidências para violações de leis federais nos protestos, mas quando a ordem veio do Departamento de Justiça, eles acabam não tendo outra escolha senão apresentar denúncias contra os oito mencionados anteriormente, que passam a ser sete durante o julgamento. Com exceção de Bobby, todos os acusados foram representados pelos advogados William Kunstler (Mark Rylance) e Leonard Weinglass (Ben Shenkman). Como o advogado do presidente nacional do Partido dos Panteras Negras havia passado por uma cirurgia, houve um requerimento para adiar o julgamento, mas o pedido foi negado.

Tal como aconteceu com a acusação, a forma com que o juiz Julius Hoffman (Frank Langella) conduz o julgamento também é marcada por uma série de vícios e ilegalidades. Ademais, Hoffman ainda se mostra ser uma pessoa preconceituosa. Como um juiz federal pode permitir que um réu seja submetido a julgamento sem ter um advogado constituído? E pior: quando questionado sobre o assunto, o magistrado age de forma hostil ou enquadra tais manifestações como crime de desacato. Isso sem mencionar as outras questões que surgem durante os mais de cem dias de julgamento. Em resumo: Hoffman dá uma aula de como não conduzir um julgamento.

O filme inicia com um ritmo acelerado, apresentando as ideias defendidas pelos principais réus e a estratégia criada pelo procurador-geral para processá-los, ao mesmo tempo em que contextualiza o delicado momento que era enfrentado pelos Estados Unidos. Na sequência, quando o julgamento passa a ser o ponto central, o desenvolvimento da história passa a ser mais lento. Junto com as cenas no tribunal, acompanhamos as reuniões dos acusados, suas declarações públicas e flashbacks que mostram os desdobramentos da manifestação ocorrida em Chicago: o que era para ser um evento pacífico acabou se tornando um confronto violento com a polícia.

Roteirizado por Aaron Sorkin, que também é o diretor da película, Os 7 de Chicago entrega um enredo extremamente didático para o público. Com exceção de John e Lee, todos os demais personagens acabam tendo participações bem definidas na trama, embora alguns ganhem mais espaços do que outros. Mesmo com o tom sério adotado pelo filme, temos momentos descontraídos vindos de Jerry e Abbie, que não perdem a oportunidade de tirar sarro de uma situação, nem mesmo quando estão diante de um juiz extremamente autoritário. Mais do que querer fazer graça, as posturas dos dois podem ser encaradas também como uma forma de protesto contra as várias arbitrariedades a que eles e seus companheiros estão sendo submetidos.


Considerações finais
Os 7 de Chicago retrata como a máquina jurídica pode ser utilizada para cometer injustiças, até mesmo em sociedades democráticas. Quando uma situação é criada e sustentada pela acusação, com apoio do próprio juiz que conduz o caso, o trabalho dos advogados de defesa se torna extremamente complicado. Agora pense em quem sequer está sendo representado legalmente... Se em obras ficcionais essas condutas reprováveis já seriam capazes de gerar um sentimento de repugnância, pior ainda é pensar que todo o enredo é baseado em fatos reais.

Com um roteiro bem trabalhado, o filme consegue transmitir com êxito a história de um dos julgamentos mais polêmicos dos Estados Unidos. Existem sim algumas coisas que poderiam ter sido melhor abordadas, mas no geral Os 7 de Chicago apresenta um enredo competente. O elenco desempenha um trabalho excepcional, externando as diversas emoções dos envolvidos no julgamento, todas elas capturadas pela ótima fotografia de Phedon Papamichael. Para completar, a trilha sonora de Daniel Pemberton compõe muito bem as cenas.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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