Análise do jogo Final Fantasy VII Remake Intergrade

Após adotar uma estratégia de lançamentos focada em plataformas específicas, nos últimos anos a Square Enix alterou sua política e vem priorizando uma abordagem multiplataforma. Como parte dessa mudança, no ano passado Final Fantasy XVI chegou ao console da Microsoft e agora, quase seis anos após o seu lançamento, Final Fantasy VII Remake desembarca no Xbox Series e Nintendo Switch 2. O título é a primeira parte de uma trilogia que busca recriar o clássico RPG de 1997, expandindo a sua trama com novos conteúdos.

Tudo começa quando o grupo ecoterrorista Avalanche contrata Cloud Strife, um ex-membro da Soldier que agora trabalha como mercenário, para uma missão arriscada: explodir um dos reatores da Companhia de Energia Elétrica Shinra. Liderados por Barret, eles estão preocupados com o que acontecerá no futuro, já que a empresa vem fazendo uso desenfreado de Mako, o fluido vital do planeta. Cloud não manifesta simpatia alguma com a causa e só está ali por conta do dinheiro que receberá após a conclusão do serviço. O objetivo é alcançado com sucesso, mas a explosão acaba tendo uma proporção maior do que o esperado, provocando danos pela cidade de Midgar. Sem que o grupo saiba, a Shinra interferiu diretamente nesse processo e logo começa a utilizar a sua máquina de propagandas para abordar o assunto da forma que lhe convém.

Passada essa parte inicial, somos levados a uma outra faceta de Midgar: em baixo da robusta estrutura metálica que sustenta a luxuosa cidade, vive uma enorme quantidade de pessoas que sofrem diariamente as mazelas da pobreza. Como a Shinra não tem interesse algum e tampouco se importa com essa realidade, a chamada Cidade Baixa parece estar escondida nas profundezas de propósito, afinal, o que não é visto não é lembrado. É nesse cenário que Cloud estreita seus laços com os demais membros da Avalanche, incluindo sua amiga de infância Tifa, e conhece a florista Aerith, personagem que desempenha grande importância durante toda a trama. Outro elemento narrativo que aparece com certa frequência são as enigmáticas visões que Cloud tem, o que o faz desligar da realidade por alguns segundos.

Ao decidir recriar um dos jogos mais aclamados da franquia Final Fantasy, a Square Enix claramente tinha em mente não só oferecer uma nova experiência aos veteranos, mas também apresentar a obra a uma nova geração de jogadores, grupo do qual faço parte. Iniciei a aventura tendo pouquíssimo contato com o jogo original, então me perdoe por não ter propriedade para fazer comparações. O que posso dizer é que a narrativa me conquistou do começo ao fim. A trama é desenvolvida de forma magistral e conseguiu me fazer importar com o grupo carismático de personagens que cercam o protagonista. Os antagonistas, igualmente bem trabalhados, também são responsáveis pelo elevado padrão da história.

Ao iniciar um jogo, podemos escolher as dificuldades normal ou fácil, e em ambos os casos também há a opção do modo clássico. No modo clássico, o personagem que controlamos ataca e defende automaticamente, permitindo que foquemos exclusivamente na execução das demais ações. Embora seja uma versão simplificada de jogabilidade que permite um foco maior na estratégia, não há nada que nos impede de executar ações ofensivas e defensivas. Testei o game nos dois modos e ambos me deixaram satisfeitos com suas propostas. Pelo menu, o jogador é livre para alterar a dificuldade e modo de jogo, além de também poder ativar algumas opções de assistência, aqui chamadas de “vantagens de jogo”, como deixar os pontos de vida e de magia sempre no máximo, as barras de limite e BTA sempre cheias, dentre outros.

Assumimos o controle de Cloud na maior parte do game, porém, durante as batalhas, é possível alternar entre os personagens com um simples toque de botão. Cada personagem possui características e habilidades próprias: abordagens à distância, por exemplo, só podem ser feitas com Barret ou Aerith. À medida que ataques e defesas são executados com sucesso, a barra de BTA, dividida em segmentos, é carregada e pode ser utilizada para executar ataques poderosos, fazer uso de magia ou consumir itens do inventário. Já a barra de limite, preenchida quando o personagem sofre dano e atordoa os inimigos, permite a execução de ações extremamente potentes. Sempre que acessamos o menu de comando para poder utilizar essas duas barras, o jogo entra em câmera lenta, permitindo que façamos as escolhas com tranquilidade.

Conforme derrotamos os oponentes, ganhamos experiência e subimos o nível dos personagens. Cada integrante do grupo pode ser equipado com uma arma, uma armadura, responsável por aumentar a defesa física e a defesa mágica, e um acessório, que pode ter diferentes efeitos. Além de aprimorar as armas com os pontos de habilidade, temos a possibilidade de acoplar orbes de matéria nos equipamentos, o que nos permite personalizar a jogabilidade da forma que melhor nos agrada ou adaptá-la conforme os desafios que encontramos pelo caminho. É por meio dos orbes de matéria que fazemos uso de magias e outros recursos durante as batalhas.

Um aspecto no qual Final Fantasy VII Remake deixa um pouco a desejar são as missões secundárias presentes em alguns capítulos do game. Algumas até possuem histórias interessantes, mas a grande maioria é monótona e sem originalidade, como revirar o mapa para encontrar gatos desaparecidos. Realizar minijogos ou enfrentar invocações em um dispositivo de realidade virtual, embora não acrescente basicamente nada em termos narrativos, me pareceram atividades mais divertidas de serem feitas. Temos também alguns segmentos da campanha que são desnecessariamente excessivamente longos.

Remake Intergrade conta com o conteúdo extra Intermission, desbloqueado após a conclusão do game junto com a dificuldade difícil. Nele, a ninja Yuffie, vinda de Wutai, vai até a cidade de Midgar para executar uma missão que se passa durante os eventos da campanha. Seguindo o mesmo estilo de jogabilidade, o conteúdo, dividido em dois capítulos, expande os eventos do jogo base, nos dando a oportunidade de aproveitar um pouco mais do universo de Final Fantasy VII.

Em termos audiovisuais, tenho somente elogios a fazer. A construção dos cenários e a modelagem dos personagens são feitos de forma extremamente detalhada, sendo perceptível o cuidado que os desenvolvedores tiveram ao criar cada pequeno detalhe. As cenas cinematográficas são igualmente de altíssima qualidade, contribuindo positivamente para a transmissão da história. Já a parte sonora é simplesmente espetacular, apresentando uma seleção de excelentes músicas que engrandeceram a minha jornada. Os demais efeitos sonoros são muito bons, assim como as dublagens em inglês e japonês, idiomas com os quais tive contato nas minhas quase 40 horas de gameplay.

O game pode ser jogado no modo gráfico, que prioriza a exibição em resolução 4K, ou no modo desempenho, focado em oferecer ao jogador uma taxa de quadros de 60 fps. Tal como geralmente faço quando estou jogando nos consoles, optei por priorizar a taxa de quadros e o resultado foi bastante satisfatório, já que Final Fantasy VII Remake está muito bem otimizado no Xbox Series X. Notei uma queda na taxa de quadros em momentos bem pontuais, nada que chegasse a me incomodar. Não presenciei bugs e não tive nenhum tipo de problema que interrompesse minha jogatina.

Já disponível no PlayStation 4, PlayStation 5 e PC, Final Fantasy VII Remake será lançado amanhã para Xbox Series e Nintendo Switch 2. Esta análise foi feita com base na versão de Xbox Series X com uma cópia fornecida pela Square Enix.

Considerações finais

Apresentando diversos paralelos com a nossa realidade, a história de Final Fantasy VII Remake encanta pela forma com que desenvolve os personagens e nos apresenta o rico universo do game. Inicialmente interessado apenas no dinheiro e demonstrando até uma certa apatia, Cloud logo se vê totalmente integrado aos seus aliados. A jornada do protagonista é repleta de surpresas, não só pelo que ele se depara ao longo do caminho, mas também pelas suas misteriosas visões.

O game também se destaca pelos belíssimos gráficos, trilha sonora excepcional e jogabilidade que pode ser personalizada de diversas formas; esse conjunto de fatores contribuem para uma experiência agradável e satisfatória. Por outro lado, a presença de algumas missões secundárias pouco inspiradas e alguns segmentos maiores do que o necessário tiram um pouquinho do brilho da obra, mas não são capazes de ofuscar o ótimo game que Final Fantasy VII Remake é.

★★★★☆Ótimo
Criador e editor do Portal E7, Herbert é advogado, amante de games e séries. Gamertag/ID: "HerbertVFV".
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