Análise da série See (1ª temporada)

O que eu mais gosto em obras de ficção científica é a ampla liberdade que os criadores têm para explorar realidades completamente diversas da nossa. See nos apresenta uma história ambientada centenas de anos no futuro, depois que um vírus dizimou a humanidade durante o século XXI. Todas as pessoas que conseguiram escapar perderam o sentido da visão, condição que foi herdada por seus descendentes, obrigando os humanos a se adaptarem e adotarem um novo estilo de vida. Como várias gerações cresceram na escuridão, qualquer menção à luz se tornou algo extremamente negativo, principalmente por acreditarem que os homens e mulheres com visão foram os responsáveis por tudo o que aconteceu.

A série inicia nos apresentando a tribo Alkenny, que vive no meio de uma floresta e é liderada por Baba Voss (Jason Momoa), um guerreiro extremamente habilidoso. O grupo havia recentemente acolhido uma mulher chamada Maghra (Hera Hilmar), que afirmava ter se perdido e estava grávida de três meses. Como Baba Voss não podia ter filhos, ele decidiu se casar com ela. No momento em que Maghra se preparava para dar à luz, o local começa a ser atacado por Caçadores de Bruxas enviados pela rainha Sibeth Kane (Sylvia Hoeks). As pessoas que promoviam teses relacionadas à visão ou espalhavam os conhecimentos de Jerlamarel (Joshua Henry), um homem que era capaz de enxergar, eram consideradas “bruxas”. O general Tamacti Jun (Christian Camargo) havia chegado até a região após um dos membros dos Alkenny trair a própria tribo e revelar ter encontrado com Maghra um colar com o nome de Jerlamarel.

Levando-se em consideração o costume dos Caçadores de queimarem por completo uma aldeia quando ela é identificada com bruxaria, Paris (Alfre Woodard) decide seguir uma mensagem deixada por Jerlamarel e consegue convencer os moradores do assentamento a fugirem em direção a uma suposta ponte que nem os mais velhos tinham conhecimento. A ponte de fato existia e foi a salvação para a tribo Alkenny, mas isso não significa que a rainha Kane tinha desistido de procurar qualquer pista que pudesse levar até a localização de Jerlamarel. Durante a temporada de estreia de See, descobrimos mais detalhes que justificam o grande interesse de Kane nesse misterioso homem.

Depois de percorrerem uma longa jornada, os Alkenny encontram uma área aparentemente segura para construir uma nova aldeia. Não demora muito para que Maghra descubra que os seus filhos gêmeos, chamados Kofun (Archie Madekwe) e Haniwa (Nesta Cooper), conseguem enxergar, segredo que ela guarda junto com Baba Voss e Paris. Ao se encontrar com Baba na floresta, Jerlamarel pede para que ele crie os seus filhos e os mantenha seguros até que os dois tenham idade para interagir com uma caixa que contém livros e ensinamentos, algo considerado extremamente raro.

Alguns anos se passaram e, no começo do terceiro episódio, Kofun e Haniwa já estão adultos e conseguiram adquirir conhecimento com aquilo que foi deixado por Jerlamarel. Durante esse período, Tamacti Jun seguiu tentando, sem sucesso, localizar os filhos de Maghra. A vida do general chegou a ficar por um triz devido aos seus fracassos, mas ele obteve uma nova chance quando Sibeth recebe uma informação sobre a nova localização dos Alkenny. Nesse momento, uma caçada se inicia, obrigando Baba Voss e sua família a agirem para não serem capturados. Acontece que esse não será o único problema com o qual eles precisarão lidar. Mesmo que consigam enxergar, Haniwa e Kofun podem se tornar presas fáceis, principalmente quando estão sozinhos.

Enquanto acompanhamos a jornada de Baba Voss e Maghra, os acontecimentos com os quais eles se deparam nos revelam detalhes sobre os seus passados. No outro lado da história, fica claro que a rainha Kane pensa apenas em satisfazer os seus próprios desejos, deixando os súditos e as demais questões em segundo plano. Ao longo dos oito episódios, ela toma decisões repugnantes e depois sofre com as consequências dos seus atos. Já a presença de Jerlamarel segue sendo uma incógnita: ele está planejando algo para o futuro da humanidade, mas algumas de suas ações parecem não fazer muito sentido. Devido a toda a fama em torno do personagem, não esperava que ele tivesse uma participação tão tímida no enredo.

Considerações finais

Um dos maiores desafios de See certamente foi conseguir transmitir para o público a ideia de que praticamente todos os humanos agora vivem sem enxergar. Ao mesmo tempo que parecem estranhas as inúmeras coisas que essas pessoas são capazes de fazer, é preciso ter em mente que houve muitos anos de evolução natural e isso fez com que os outros sentidos ficassem mais aguçados. Embora às vezes presenciemos situações um pouco exageradas, principalmente nos excelentes momentos de combate, no geral a premissa consegue funcionar bem.

O desenvolvimento do enredo é instável: enquanto nos primeiros episódios a história progride bem, o mesmo não acontece na segunda metade dos capítulos. Os roteiristas perderam a oportunidade de aprofundar certos pontos da narrativa e optaram por adotar uma abordagem mais genérica. See também carece de personagens carismáticos; com exceção de Baba Voss, o restante não consegue se destacar. Por outro lado, a série brilha na ambientação e fotografia, resultando em cenas realmente muito bonitas. Resta saber como a produção seguirá com os ganchos que foram deixados no final da temporada.

★★★☆☆Bom
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Criador e editor do Portal E7, Herbert é advogado, amante de games e séries. Gamertag/ID: "HerbertVFV".
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