Análise da minissérie Em Defesa de Jacob

Em um dia aparentemente normal, o promotor assistente Andy Barber (Chris Evans) é designado para assumir um caso que mudaria para sempre a sua vida e a de sua família. Após receber uma ligação, ele imediatamente vai até um parque próximo à escola em que seu filho, Jacob (Jaeden Martell), estudava, local em que um adolescente foi encontrado morto com três perfurações de faca. A vítima é Ben Rifkin, um jovem de quatorze anos que era colega de classe de Jacob. Não havia muitas pistas sobre o ocorrido: o celular da vítima, que poderia conter informações importantes, não foi localizado e a polícia não conseguiu identificar a digital encontrada no casaco de Ben.
Em meio à escassez de provas, a detetive Pam Duffy (Betty Gabriel) recebe a identificação de um possível suspeito, Leonard Patz (Daniel Henshall), que tinha passagens pela polícia por ter cometido assédio sexual contra um menor de idade. Apesar dos antecedentes criminais, não havia nada que o ligasse ao crime para justificar, naquele momento, um interrogatório. Quando Andy conversa com Jacob sobre o fato, ele não demonstra muitas emoções e, em uma das ocasiões, critica a hipocrisia de seus colegas e a forma como eles estavam agindo. Mais tarde, ao receber no seu e-mail o link de uma rede social, o promotor lê vários comentários acusando o seu filho de ser o autor do crime, incluindo o de Derek (Ben Taylor), de quem Jacob era amigo. Assustado com essa situação, ele decide revistar o quarto de Jacob e encontra uma faca escondida em uma gaveta.
Colocando Laurie (Michelle Dockery), sua esposa, a par de toda a situação, os dois resolvem interrogar o filho. Jacob nega qualquer envolvimento com a morte de Ben e aparenta não estar muito preocupado com o que os seus colegas estavam escrevendo a seu respeito. No decorrer dos oito episódios, descobrimos que comprar uma faca não foi a única coisa que Jacob escondeu de Laurie e Andy. Esse tipo de comportamento torna as suas atitudes cada vez mais suspeitas, embora seu pai acredite veementemente que ele não tem qualquer ligação com o crime, mesmo tendo sido uma vítima de bullying de Ben. Laurie, por outro lado, manifesta diversas vezes preocupações com o comportamento do filho e demonstra, em alguns momentos, ter dúvidas sobre suas afirmações.

Sem conseguir avançar na investigação, a polícia decide interrogar Patz, mas acaba tendo que liberá-lo após não encontrar nada que pudesse ligá-lo ao ocorrido. Durante o seu depoimento, Patz afirmou que sequer conhecia a vítima, porém, no final do segundo episódio, vemos ele apagando várias fotos de Ben do seu telefone. Quando os investigadores descobrem que a digital encontrada no casaco de Ben era de Jacob, ele se torna o principal suspeito, fazendo com que Andy seja retirado do caso. Quem assume o seu lugar é o promotor Neal Logiudice (Pablo Schreiber), que desde o começo tinha manifestado desejo em trabalhar no pleito.
Percebendo que a situação estava ficando cada vez mais complicada, Andy e Laurie contratam Joanna (Cherry Jones), uma advogada experiente, para trabalhar na defesa do filho. A partir desse momento até o dia do julgamento, acompanhamos Joanna traçar as estratégias de defesa em conjunto com a família, objetivando antever quais pontos seriam sustentados pela acusação perante o júri. Enquanto isso, Andy acredita que Leonard Patz é o verdadeiro autor do crime e inicia uma investigação à parte para tentar levantar provas que possam ajudar a provar a inocência do filho.
Durante todos os oito capítulos, presenciamos Andy prestando depoimento em um grande júri, um processo de investigação em que os jurados decidem se existem ou não evidências suficientes para formalizar uma acusação. Fica claro que há um intervalo temporal entre essa parte e os demais fatos da narrativa, e só entendemos por que esse procedimento está acontecendo no episódio final. Outro ponto importante da história tem relação com o passado de Andy. Ciente de que a partir daquele momento a sua vida seria totalmente investigada, ele decide revelar a verdade sobre o seu pai, algo que o personagem escondia de todos. Até então, o promotor dizia que seu genitor havia abandonado sua família, quando na verdade ele estava preso por ter esfaqueado uma estudante universitária até a morte. O arco envolvendo o avô de Jacob vai aos poucos ganhando espaço e termina de uma forma surpreendente.

Considerações finais
Baseado no livro homônimo de William Landay, Em Defesa de Jacob nos apresenta uma história instigante de um assassinato ocorrido na pequena cidade de Newton, em Massachusetts. Desde o começo, a minissérie do Apple TV nos apresenta vários elementos que apontam que Jacob realmente é o culpado, mas ao longo da trama pequenos indícios indicam outros possíveis autores do crime. O tom de melancolia é refletido nas cenas, que apresentam uma paleta de cores frias. O enredo é até bem desenvolvido, mas não gostei da forma com que a história foi finalizada: diante de tudo o que foi construído, esperava encontrar um desfecho mais conclusivo.
Seja como for, a atração retrata todo o drama enfrentado pela família Barber, que passa a conviver com a constante presença de jornalistas no dia a dia, a desconfiança dos demais moradores do município e uma profunda angústia com tudo o que estava acontecendo. Algo que merece ser elogiado é o excelente trabalho do elenco. Quando o julgamento finalmente se inicia, Cherry Jones entrega uma grande performance ao dar vida a uma advogada de defesa que está sempre atenta às falas do promotor. Chris Evans e Michelle Dockery mandam muito bem ao interpretarem os pais do acusado. Agora, o grande destaque fica por conta de Jaeden Martell, que consegue transmitir para o público todas as peculiaridades de seu personagem: um garoto enigmático, frio e que não costuma demonstrar suas emoções.