Análise do filme Corra!
A história de Corra! (Get Out, no original) inicia-se com um prólogo, ocasião em que vemos um homem negro perdido em um bairro de classe média durante à noite. Quando olhava a localização em seu celular, um Porsche 944 na cor branca se aproxima dele. Percebendo que poderia se tratar de uma emboscada, o personagem dá meia-volta, mas acaba sendo surpreendido e capturado por um misterioso homem mascarado, que o coloca no porta-malas do carro.
Na cena seguinte, conhecemos o casal Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams). Enquanto conversam sobre Chris ir conhecer os pais de Rose, ele teme não ser bem aceito, já que a família de sua namorada era formada apenas por pessoas brancas. Rose tenta convencê-lo de que não haveria nenhum problema, argumentando que eles não são racistas e que seu pai teria votado em Obama pela terceira vez se pudesse. Rod Williams (Lil Rel Howery), amigo de Chris, não acha que isso seja uma boa ideia, mas o protagonista acaba sendo convencido.
Enquanto viajavam em direção à casa de seus pais, Rose acaba atropelando um cervo que surgiu de forma repentina. Este é apenas um aperitivo para a sequência de acontecimentos estranhos que o filme nos reserva. Depois de terem chamado a polícia, o casal segue a viagem. Ao chegarem no destino, ambos são bem recepcionados por Dean (Bradley Whitford) e Missy Armitage (Catherine Keene), os pais de Rose. Apesar de falas inconvenientes surgirem durante as conversas, sendo a maioria delas ditas pela Sra. Armitage, Chris consegue manter uma boa comunicação com os genitores de sua namorada. Mais tarde, quando o protagonista conhece Jeremy (Caleb Landry Jones), o irmão de Rose, a situação fica mais tensa. Nesse meio termo, o comportamento estranho dos dois empregados da casa, que por sinal são as únicas pessoas negras do local, mais uma vez indicam que aquele seria um fim de semana atípico.
A Sra. Armitage, além de ser psiquiatra, também hipnotiza as pessoas. Na primeira noite em que dorme na casa dos sogros, Chris acorda durante a madrugada e resolve andar pelo local (que péssima ideia!). Basta alguns segundos para que ele se depare com uma série de situações esquisitas, que mais pareciam um sonho. Como se isso não bastasse, para aquele final de semana estava marcada a grande festa anual da família, ocasião em que eles comemorariam o aniversário do pai de Dean – não tinha oportunidade melhor para conhecermos a fundo a família Armitage. O mais legal do enredo do filme é que não sabemos de nada, e só vamos tomando conhecimento do que está acontecendo junto com o protagonista.
No primeiro filme em que atua como cineasta, Jordan Peele ganhou o Oscar de melhor roteiro original. Além dessa categoria, Corra! concorreu aos prêmios de melhor ator, melhor filme e melhor diretor. O prêmio pelo roteiro não veio por acaso: o filme de suspense, com pitadas de terror, conseguiu entregar uma narrativa diferente, além de trabalhar muito bem a questão do racismo velado, presente nos seus mínimos detalhes. A parte final é eletrizante, Peele conseguiu entregar um bom final para história por ele criada.
Considerações finais
A melhor forma de ir assistir Corra! é certamente não saber nada sobre o filme: quanto menos informações você tiver, melhor será a sua experiência. Desde o princípio percebemos que algo de estranho está acontecendo, mas não somos capazes de deduzir o que é (e eu nem recomendo que você tente adivinhar do que se trata o mistério, apenas aproveite e deixe os acontecimentos fluírem naturalmente). Fato é que o clímax do filme é muito bom: a partir do momento em que descobrimos a história macabra do longa-metragem, somos surpreendidos com uma sequência dinâmica de acontecimentos, responsáveis por causar até uma certa aflição.
A excelente atuação de Daniel Kaluuya transmite muito bem os diversos sentimentos vivenciados pelo personagem ao longo da história. Os demais atores desempenham ótimos papeis, tendo também suas parcelas de contribuição para a excelência do longa. Apesar de não ser o foco do filme, Lil Rel Howery é o responsável pelas cenas cômicas, o que gera uma descontraída legal no tom mais sério da trama. Direção e fotografia nos entregam belas e intrigantes cenas, algo essencial para filmes do gênero. A trilha sonora é o ponto mais fraco, mostrando-se discreta durante praticamente toda a película.
Nota
★★★★☆ – 4 – Ótimo
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