Maria Felisberta da Silva, popularmente conhecida como Maria Tangará, era uma das mulheres mais ricas e poderosas de Minas Gerais no final do século XVIII. Famosa pela personalidade forte e suas maldades, mudou-se para Pitangui por volta de 1794. Sua vida é cercada de mistérios e histórias.

Em Pitangui, construiu um enorme casarão, situado à rua Coronel Americo Bahia, número 115, no centro da cidade, local onde morou até a sua morte, junto com uma grande quantidade de escravos. Extremamente ciumenta, quando percebia que o marido estava olhando muito para uma de suas escravas, sempre se vingava. Pela cidade, correm boatos que ela mandou cortar os peitos de uma escrava e determinou que se arrancasse a arcada dentária de outra.

No final de sua vida, já mais velha, existem relatos que Maria Tangará começou a mexer com iniciação em feitiçaria, tendo trazido um feiticeiro de Mateus Leme para sua casa. Certa noite, em um dos cômodos do último andar da casa, eles iniciaram uma seção de macumba, ocasião em que beberam muito e começaram a maltratar e matar os escravos, imolando o nome do demônio. Os outros escravos da residência ficaram desesperados e saíram correndo, vários rolaram pelas escadas durante a tentativa de fuga. Corrimões e degraus ficaram manchados durante anos. Embora raspagens e pinturas fossem feitas nas paredes, as manchas de sangue continuavam lá (hoje já não estão mais presentes). Em uma cisterna da residência, foram enterrados mais de 60 escravos.

Segundo a lenda, o casarão de Maria Tangará é mal-assombrado. Pessoas que passam em frente ao local depois de meia-noite já escutaram gemidos, barulhos de correntes arrastando e de mesas/cadeiras caindo. Hoje, uma escola do ensino fundamental funciona no imóvel.

Embora várias histórias tenham se popularizado com o seu nome, não é possível dizer que Maria Tangará era realmente uma pessoa ruim. Este texto é uma mera compilação de contos populares que são a ela atribuídos.