Depois de uma primeira temporada impecável, as expectativas para o segundo ano de Stranger Things eram altas. Posso dizer, brevemente, que a série conseguiu acertar em alguns pontos, mas teve deslize em outros, resultando em uma temporada inferior ao que vimos no ano de estreia.

A produção da série escolheu jogar seguro, seguindo o mesmo estilo de narrativa já conhecido pelo público. Não espere grandes mudanças na forma como a trama se desenvolve. Ambientada quase um ano após os acontecimentos da primeira temporada, temos uma continuação direta da história: Will (Noah Schnapp) continua tendo visões do mundo invertido enquanto sua mãe, Joyce Byers (Winona Ryder), e seus amigos novamente buscam uma forma para tentar ajudar o garoto. Nem mesmo a casa de Joyce escapou e é novamente alvo de uma grande bagunça.

Além dos personagens já conhecido, o elenco conta com várias novidades nesta segunda temporada: Max Mayfield (Sadie Sink), uma garota ruiva com personalidade completamente diferente das demais crianças; Billy Hargrove (Dacre Montgomery), o meio-irmão bad boy de Max; Bob Newby (Sean Astin), o namorado de Joyce; Murray Bauman (Brett Gelman), um investigador particular; Dr. Sam Owens (Paul Reiser), o novo médico do Laboratório Nacional Hawkins; e Kali (Linnea Berthelsen), a misteriosa menina que aparece logo no começo da segunda temporada. Dentre os personagens citados anteriormente, Billy talvez seja o único que não acrescenta importância na trama.

Se Onze/Eleven (Millie Bobby Brown) foi o grande destaque do ano de estreia da série, a segunda temporada é marcada pela impressionante atuação de Noah Schnapp: ele conseguiu transmitir muito bem todo o sofrimento vivido por Will. David Harbour, que dá vida ao delegado Jim Hopper, também merece uma menção honrosa, tento também um papel marcante neste segundo ano.

Tudo caminhava de certa forma muito bem, até que chegamos no sétimo episódio, onde não há escapatória: você gosta ou não do que foi mostrado. O episódio basicamente a aprofunda a história de Kali, que possui uma ligação com Onze/Eleven. Houve nitidamente uma tentativa de ampliar o universo da série, mas o referido episódio destoou-se muito dos demais capítulos da temporada. Apesar disso, é nele que detalhes importantes da história acabam sendo revelados pela primeira vez.

Assim como a primeira temporada acabou deixando um gancho para sua continuação, o segundo ano também encerra dando uma pitada daquilo que está por vir. Muita aventura e suspense ainda nos aguardam em Hawkins!


Considerações finais
Quando uma série tem uma temporada de estreia muito bem recepcionada, a produção de uma sequência torna-se um desafio ainda mais complexo. Talvez o maior problema dessa segunda temporada, além do polêmico sétimo episódio, seja a falta do fator novidade, já que a história aqui contada é praticamente uma releitura do que vimos na primeira temporada.

Houve uma tentativa de expandir o universo da série, conforme foi visto no sétimo episódio, mas o referido episódio, além de deixar muitas pontas soltas, acaba se destoando de tudo o que foi construído até hoje em termos narrativos. Com exceção deste episódio, os demais ramos da história são bem executados. O elenco, constituído em grande parte por crianças, dá mais um show de atuação. Os personagens continuam carismáticos e a série constrói bem os seus momentos de tensão.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


Veja mais sobre Stranger Things:
└ Análise da série Stranger Things (1ª temporada)
└ Análise da série Stranger Things (3ª temporada)

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