O jogo de gato e rato entre Chuck Rhoades (Paul Giamatti) e Bobby Axelrod (Damian Lewis) já são marcas conhecidas das duas primeiras temporadas de Billions, série exibida pela emissora estadunidense Showtime. O terceiro ano da atração criada por Brian Koppelman, David Levien e Andrew Ross Sorkin é o mais ousado até então, entregando para o público as maiores reviravoltas já vistas na série, além de traçar um novo panorama para o futuro.

Assim como a primeira temporada, o desfecho do segundo ano nos brindou com um excelente embate envolvendo Chuck e Bobby, cujas consequências são retratadas na terceira temporada. Dando um tiro certeiro no alvo, Chuck finalmente conseguiu incriminar o líder do fundo de hedge, obrigando-o a abrir mão da sua licença para negociar. Em decorrência disso, Bobby é obrigado a se afastar da Axe Capital e entregar sua empresa para alguém de sua confiança. O escolhido para assumir o controle do fundo de investimentos é Taylor Mason (Asia Kate Dillon), que surpreendeu Boby inúmeras vezes desde que começou a trabalhar na Axe Capital.

As questões envolvendo a proibição para atuar no mercado financeiro não são os únicos problemas enfrentados por Axelrod: a fala de Wendy (Maggie Siff) na sua festa de aniversário (evento retratado na temporada passada) parece realmente ter acabado com o seu casamento com Lara (Malin Åkerman). A temporada inicia com o casal já separado e com um processo de divórcio em curso. Sendo agora proprietária de metade do capital do marido, Lara demonstra interesse em saber como o seu dinheiro na Axe Capital é investido. Os dois ainda mantém o diálogo e tentam conduzir em conjunto a criação dos filhos, ainda que Axelrod, devido a seus inúmeros afazeres, não consiga dar a eles a atenção que necessitam.

No outro lado da história, podemos dizer que a situação de Chuck foi em parte amenizada. Com o cargo de procurador geral agora sendo ocupado por Waylon Jeffcoat (Clancy Brown), o posto de Chuck no Ministério Público parece, por ora, estar mais seguro. No entanto, isso não significa que o procurador federal do distrito sul terá sossego: Chuck passa a conviver com interferências diretas de Jeffcoat no seu escritório, afetando a sua autonomia de investigar e processar casos. Chuck virou uma marionete e precisa seguir as determinações do novo procurador geral.

Ao mesmo tempo em que enfrenta esses problemas, Chuck ainda pensa na sua carreira política e não descartou a possibilidade de concorrer ao cargo de governador do estado. Rhoades também tenta manter sua influência sobre Oliver Dake (Christopher Denham), o novo procurador do distrito leste. O caso de envenenamento da Ice Juice contra Axelrod precisa avançar, mas Chuck tem que ser extremamente cauteloso para impedir que qualquer ligação sua e da sua esposa com a empresa de sucos venham à tona. O desafio maior será conter Bryan Connerty (Toby Leonard Moore), que não compreende alguns atos de Oliver na frente do caso e está disposto a realizar investigações particulares para descobrir qual parte da história está sendo ocultada. O fato do seu antigo chefe poder ter algum envolvimento não impede Connerty de seguir adiante.

Explorando ainda mais os escritórios do Ministério Público (distritos leste e sul) e da Axe Capital, Billions apresenta para o público uma série de questões que vão, aos poucos, ditando os novos rumos da narrativa. No momento em que as coisas finalmente parecem estar se ajeitando (reviravolta retratada na metade da temporada), duas bombas explodem, uma para Bobby e outra para Chuck. Os dois personagens principais são obrigados a lidarem com situações extremamente delicadas e que vão causar profundas consequências no futuro de cada um. Com o novo panorama instaurado, a conclusão da temporada é extremamente empolgante, abrindo precedentes para uma renovação total na história da série.


Considerações finais
Continuar repetindo uma fórmula que vem dado certo ou apostar em algo novo e mais ousado? Imagino que este questionamento em algum momento deve surgir na mente dos roteiristas, principalmente quando estão à frente de produtos de sucesso. A terceira temporada de Billions me pareceu ser uma etapa de transição, fechando questões que surgiram nos dois primeiros anos e abrindo espaço para que outros caminhos sejam explorados nas temporadas subsequentes. A mudança veio em uma boa hora, afinal, repetir a mesma fórmula por mais doze episódios acabaria tornando a série repetitiva e extremamente previsível.

O ponto alto da temporada são as incríveis reviravoltas apresentadas. A série cuida tanto de construir todos os detalhes do seu enredo que mais uma vez alguns dos seus episódios (com quase uma hora de duração) se tornam um pouco arrastados, principalmente no começo da temporada. Esse foi o único ponto negativo da temporada, já que todo o restante funciona muito bem. Com personagens secundários ganhando mais espaços e diálogos repletos de referências, a série conseguiu manter o padrão de qualidade visto nas temporadas anteriores.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo