Na temporada de estreia, o Número Cinco (Aidan Gallagher) viajou do futuro para o presente com a missão de tentar impedir um apocalipse. O que ele não imaginava é que o evento catastrófico só ocorreria em razão das ações dele e de seus irmãos. Com a lua se fragmentando e atingido em cheio o planeta Terra, Cinco rapidamente convenceu seus irmãos a viajarem com ele no tempo para salvar suas vidas e tentar impedir que tudo aquilo realmente acontecesse. Na prática a ideia até parecia ser boa, mas sua execução não saiu como o planejado.

Todos os irmãos foram parar na cidade de Dallas, nos Estados Unidos, mas em anos diferentes da década de 1960, causando uma separação entre eles. Cinco foi além e chegou em uma realidade alternativa do dia 25 de novembro de 1963: JFK tinha declarado guerra aos comunistas e os soviéticos tinham invadido o território estadunidense; Cinco inclusive chega a ver seus irmãos lutando contra o exército da URSS. O que os Hargreeves teriam feito desta vez? Antes de fazer qualquer tipo de contato com seus irmãos, Hazel (Cameron Britton) aparece e rapidamente tira Cinco dali momentos antes de mísseis nucleares antigos atingir os EUA.

Hazel explica para Cinco que o que ele presenciou era o fim do mundo (de novo!). Para evitar que aquilo realmente acontecesse, Cinco precisaria restaurar a linha do tempo em dez dias. Agora, fora da Comissão, Hazel não podia lhe oferecer mais nenhum tipo de ajuda - na verdade, nem se quisesse ele teria condições de prestar algum auxílio, já que Hazel foi morto por três homens suecos logo na sequência. Cinco agora tem a difícil missão de reencontrar seus irmãos e convencê-los a ajudá-lo a impedir que uma nova catástrofe aconteça no planeta. A missão não vai ser tão simples assim, já que cada um acabou reconstruindo suas vidas depois da viagem no tempo.

Luther (Tom Hopper) passa a ganhar a vida lutando em um ringue de boxe e eventualmente trabalhando como guarda-costas; Diego (David Castañeda) está preso em um manicômio e quer tentar impedir o assassinato do presidente John F. Kennedy; Allison (Emmy Raver-Lampman) se casou com um ativista de direitos civis e acabou também entrando para o movimento; Klaus (Robert Sheehan) iniciou um culto em que ele é a figura central; e Vanya (Ellen Page) passa a morar com uma família na zona rural depois de ter tido uma amnésia. No hospital psiquiátrico, Diego faz amizade com Lila (Ritu Arya), outra paciente que estava internada no local. Depois de também serem perseguidos pelo trio de suecos, os dois conseguem concretizar um plano de fuga. A princípio, Laila parece ser apenas alguém que gosta de Diego, mas ao longo da temporada descobrimos que ela tem uma grande importância dentro da história. Foi uma revelação inusitada e que eu particularmente não esperava.

Três meses depois de ter sobrevivido a um tiro na cabeça, graças a presença de uma placa de metal (é muita sorte para uma pessoa só), a Gestora (Kate Walsh) retorna para a Comissão e acaba recebendo uma surpresa: ela tinha sido rebaixada por seu chefe, um peixe chamado AJ. Ambiciosa por poder, a Gestora não digere bem o seu novo cargo e tentará fazer alguma coisa para recuperar o seu prestígio, ainda que isso signifique furnar alianças com os inimigos. É bom sempre ficar atento às suas ações, uma vez que todos os seus movimentos visam somente conquistas pessoais, pouco importando o que isso causará nos outros. 

É extremamente interessante observar como a série explora bem a nova época em que é ambientada: além da excelente caracterização, acompanhamos de perto os desafios enfrentados por pessoas negras e homossexuais em uma sociedade extremamente preconceituosa, onde pessoas de pele negra sequer podiam frequentar determinados locais da cidade. Interessante também a inserção da figura de JFK na trama, um presidente extremamente carismático e que lutava por mudanças sociais nos Estados Unidos. Tratam-se de registros históricos importantes, mesmo The Umbrella Academy sendo uma série de ficção científica. A história envolvendo o assassinato do presidente acaba se encaixando perfeitamente no enredo proposto para esse segundo ano: Diego quer evitar a todo custo a morte de JFK, ao passo que Cinco teve uma visão do que aconteceria caso a linha temporal fosse alterada e ele não fosse vítima de um assassinato em 22 de novembro de 1963. 

A segunda temporada está repleta de momentos marcantes, mas eu gostaria de fazer uma menção especial a um acontecimento retratado no episódio sete, quando Klaus faz um acordo inusitado com Ben (Justin H. Min), permitindo que seu irmão morto possuísse o seu corpo durante um certo período. O resultado disso são algumas cenas bastante engraçadas, principalmente nos momentos em que os dois ficam brigando um com o outro para ver quem efetivamente assumiria o controle do corpo de Klaus. O desfecho de tudo é completamente inusitado (e algumas pessoas certamente acharão nojento).


Considerações finais
O segundo ano de The Umbrella Academy é consistente e bem elaborado em termos narrativos. Talvez alguns personagens interessantes, como os três suecos e o peixe AJ, pudessem ter ganhado mais espaço para o desenvolvimento de suas histórias, já que se tratam de figuras novas no universo da atração. Sem precisar ficar mais explicando a origem da maioria de seus personagens, a série tem uma liberdade muito maior para desenvolver suas tramas sem abusar muito do tempo. Contando desta vez com episódios entre 40 e 50 minutos de duração, não senti que a série se tornou maçante em nenhum momento. Na verdade, essa segunda temporada é bem dinâmica e consegue aprofundar bem as subtramas de todos os irmãos Hargreeves. É uma boa mistura de humor, drama, viagens no tempo e questões sociais.

Assim como ocorreu no primeiro ano, a série encerrou deixando um grande gancho para a terceira temporada, mas dessa vez podemos dizer que a história do segundo ano foi "fechada" para que, então, houvesse uma pequena introdução do que estar por vir nos minutos finais do décimo episódio. A parte técnica continua sendo extremamente bem executada, com ótima direção, fotografia muito bonita e efeitos especiais convincentes. Os atores mais uma vez fizeram um ótimo trabalho e pareciam estar mais à vontade com seus personagens. Destaque também para a excelente trilha sonora. Fico agora curioso para saber como a série da Netflix caminhará na sua terceira temporada.

Nota
★★★★☆ - 4 - Ótimo


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