Análise da série Manifest (4ª temporada)

Atenção! O texto a seguir contém spoilers da terceira temporada de Manifest.

O terceiro ano de Manifest teve um desfecho surpreendente e dramático. Desde que foi introduzida na história, Angelina (Holly Taylor) apresentou comportamentos estranhos e até um certo delírio por acreditar que Eden era seu anjo da guarda. Como não era mais bem-vinda na casa da família Stone, ela resolveu sequestrar a bebê e, nesse processo, esfaqueou Grace (Athena Karkanis), que não resistiu aos ferimentos. Isso aconteceu enquanto o restante da família estava tentando encontrar uma forma de trazer Cal (Ty Doran) de volta, depois que ele desapareceu ao tocar no pedaço da aeronave. Inexplicavelmente, ele conseguiu retornar, mas agora não tinha a aparência de uma criança.

A temporada final começa dois anos após esses eventos e mostra como os personagens estavam seguindo com suas vidas. O baque foi tão grande que os Stone decidiram se unir e estavam todos morando na mesma casa. Visando não ser reconhecido por terceiros e nem chamar ainda mais a atenção, Cal assume a identidade de Gabriel e finge ser um primo da família. Arrasado com o que aconteceu com sua filha, Ben (Josh Dallas) ignora completamente qualquer coisa relacionada ao voo 828 e tenta, de todas as formas, encontrar pistas que possam levá-lo até Eden. Já Angelina procura meios para continuar escondida de forma segura junto com a criança, de quem ela finge ser mãe. Mesmo depois de tudo o que fez, Angelina ainda consegue apoio de alguns passageiros.

Com a proximidade da data da morte, Michaela (Melissa Roxburgh), que deixou a polícia, segue tentando desvendar os chamados para evitar que o bote salva-vidas afunde. Ela conta com a ajuda e o apoio de Vance (Daryl Edwards) e Saanvi (Parveen Kaur), que montaram uma base de pesquisa após o fim do Eureka. Logo no episódio de estreia, Michaela encontra um passageiro asiático que possui uma ligação especial com Cal e fornece pistas cruciais sobre a caixa-preta do avião. Embora não tenha chamados, Olive (Luna Blaise) segue sendo uma figura importante para tentar desvendar os inúmeros mistérios relacionados ao voo 828. Pouco a pouco, Cal vai compreendendo as coisas e entendendo por que ele, dentre os vários passageiros, é alguém especial.

Depois das rachaduras e dos constantes tremores de terra registrados na região da cidade de Nova York, o governo endureceu o tratamento com os retornados do 828 e criou uma divisão na polícia, chamada de Registro, para monitorar essas pessoas. Drea (Ellen Tamaki) trabalha nessa divisão e ajuda Michaela diversas vezes sem que seus superiores saibam. Jared (J. R. Ramirez) é outra figura importante e novamente tenta dar o seu melhor para resolver os problemas. As coisas começam a ficar delicadas a partir do capítulo 11, quando descobrimos que uma medida drástica foi tomada pelas autoridades, o que torna tudo mais difícil, justamente no momento em que a data da morte se aproximava.

Dois personagens que ganham bastante destaque no último ano de Manifest são Zeke (Matt Long) e Angelina. Além de conseguir perceber os sentimentos de terceiros, o esposo de Michaela descobre que também é capaz de absorver aquilo que outras pessoas estão sentindo. Zeke, então, passa a usar sua nova habilidade para ajudar quem está passando por dificuldades e toma uma decisão comovente no décimo episódio. Já Angelina intensifica suas paranoias espirituais ao acreditar que havia sido escolhida por Deus para cumprir tarefas na Terra. Em determinado ponto do enredo, ela acaba tendo contato com algo importante e que era conhecido por pouquíssimas pessoas. Não fica claro como a personagem conseguiu a informação, algo que considero estranho, principalmente porque isso desencadeia eventos importantes até o episódio final. Esse era um ponto da história que merecia ter sido melhor trabalhado.

Jeff Rake, criador da série, tinha um plano traçado para Manifest durar seis temporadas. Após o término do terceiro ano, a NBC decidiu cancelar a produção e abortou a história na metade daquilo que havia sido originalmente idealizado. Com o bom desempenho no streaming, a Netflix reviveu a atração e encomendou uma temporada final composta por vinte episódios. O lado positivo é que a trama teve uma conclusão que, por sinal, apresentou um desfecho que me surpreendeu positivamente. Com menos tempo disponível, os roteiristas recorreram a saltos temporais para um maior dinamismo, o que não me incomodou. Por outro lado, houve um desenvolvimento muito corrido em certas partes do enredo, tornando algumas situações superficiais.

Considerações finais

Durante a sua trajetória, Manifest apresentou ao público vários tipos de mistérios, a maioria relacionados ao voo 828, mas também presenciamos outros retornos, como Zeke, o trio que caiu no lago congelado e o homem que passou mais de três dias submerso na água dentro de uma van. A temporada final retoma o que aconteceu com Zeke e retrata esse fato sob outra ótica, mostrando como tudo estava conectado. Com o foco voltado para a espiritualidade, em diversos momentos temos referências à Bíblia e a outros pontos que englobam a mitologia da série. É verdade que muitas questões ficaram sem respostas, mas, ainda assim, gostei da forma com que o enredo foi concluído.

O grande problema do quarto ano está na maneira com que a narrativa é desenvolvida. Além de algumas coisas não fazerem muito sentido, Manifest ignora parcela daquilo que acontece no seu próprio universo, principalmente na segunda metade da temporada. Apenas para citar um exemplo, o governo, que até então estava fazendo vista grossa, parece sequer existir nos últimos capítulos. Os episódios não são ruins, mas poderiam ser muito melhores. A atração, no geral, manteve o mesmo padrão de qualidade dos anos anteriores, sendo o final um ponto fora da curva.

★★★☆☆Bom
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Criador e editor do Portal E7, Herbert é advogado, amante de games e séries. Gamertag/ID: "HerbertVFV".
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