Análise da série See (3ª temporada)

Atenção! O texto a seguir contém spoilers da segunda temporada de See.
No final da segunda temporada, assistimos ao confronto entre Payan e Trivantes após a Rainha Sibeth Kane (Sylvia Hoeks) ter sabotado o tratado de paz que estava sendo negociado por sua irmã. Em uma batalha bastante engenhosa, Baba Voss (Jason Momoa) e seus aliados só alcançaram a vitória graças a Paris (Alfre Woodard) e Toad (Hoon Lee), que conseguiram apoio das Tribos Escondidas. Agora que todos sabem o que realmente aconteceu em Payan, Maghra (Hera Hilmar) assumiu o posto de rainha e tenta guiar o seu povo adotando uma nova forma de governar. Mesmo estando presa, Sibeth demonstrou que não sente nenhum tipo de gratidão e assassinou Paris, que havia pressentido a sua gravidez e impedido que ela fosse morta.
Ambientada alguns meses após esses eventos, a terceira temporada de See inicia mostrando as dificuldades que o exército trivantiano estava enfrentando na guerra contra Ganite. Quando Tormada (David Hewlett) chega ao local da batalha, a disputa ganha novos contornos. A princípio, a presença de um cientista não era o que os soldados esperavam, mas Tormada tinha consigo algo que alteraria profundamente qualquer tipo de embate. Utilizando o conhecimento dos antigos e a visão dos filhos de Jerlamarel (Joshua Henry), ele havia conseguido desenvolver armas explosivas, permitindo que oponentes fossem facilmente derrotados. A eficácia das bombas é demonstrada durante um ataque dos Ganites, e a destruição causada por elas deixa Wren (Eden Epstein) horrorizada.
Por não ter conseguido aperfeiçoar os explosivos a tempo, Tormada convive diariamente com um sentimento de culpa pela morte de Edo Voss (Dave Bautista). Para vingar seu falecido amigo, ele está disposto a aniquilar Baba Voss e assumir o controle de Payan. E os planos não param por aí: com o poder das bombas, o cientista acredita que pode conquistar qualquer tipo de região e construir o maior Império que já existiu na Terra. Todas essas questões deixam Wren bastante assustada, o que a motiva a abandonar o seu cargo no exército de Trivantes e ir até Payan para avisar Haniwa (Nesta Cooper) e sua família do que estava por vir. No decorrer dos episódios, vemos que Tormada está muito firme em suas posições, sendo capaz de conspirar contra o seu próprio povo para seguir adiante com suas ideias.

Enquanto isso, em Pennsa, Sibeth dá à luz seu filho com Kofun (Archie Madekwe). Maghra até tenta cortar os laços entre o bebê e sua irmã, mas acaba recuando e permite que Sibeth o alimente e lhe dê carinho, ainda que de forma limitada. Quem não está muito confortável é Kofun, que tenta ao máximo não se envolver com essa história. Sentindo dificuldades em aceitar o fato de agora ser pai, o personagem precisa encontrar a paz consigo mesmo para assumir as suas novas responsabilidades. Outra questão familiar complicada é o fato de Maghra precisar entregar sua irmã para manter a harmonia entre Trivantes e Payan. Como sabe que Sibeth sofrerá nas mãos dos trivantianos, ela se mostra relutante e tenta adiar ao máximo essa questão.
Após ter deixado sua família no final da temporada passada, Baba Voss passou a ter uma vida selvagem na floresta. É nesse ambiente que conhecemos Ranger (Michael Raymond-James), um velho amigo do protagonista que estará junto com ele em eventos importantes mais adiante. Quando os trivantianos conseguiram localizar Baba e tentaram matá-lo com as bombas, ele percebe que aquela era a hora certa de retornar a Pennsa e avisar Maghra sobre a presença inimiga na região. Como não conseguia explicar exatamente o que havia acontecido, já que jamais havia presenciado algo semelhante, o relato de Baba Voss só ganha maior credibilidade no instante em que Wren também chega à cidade. A partir desse ponto, eles definem um plano para tentar impedir as ações de Tormada, o que nos leva a acompanhar uma jornada perigosa.
Uma parcela dos antigos membros dos Caçadores de Bruxas segue resistente em aceitar a presença de pessoas que enxergam entre eles, o que obriga Maghra e Tamacti Jun (Christian Camargo) a agirem. Quem se aproveita desses momentos é Sibeth, que quer a todo custo recuperar o prestígio e o poder que já teve, ainda que isso signifique formar alianças perigosas. A escalada de todos os fatos que mencionei anteriormente nos conduz ao grande embate visto no sétimo episódio, levando Baba e sua esposa a tomarem ações decisivas para, de alguma maneira, tentar contornar o caos que estava se instaurando. No oitavo e último capítulo, temos o desdobramento desse conflito e a conclusão da história. Em seu encerramento, See fez questão de desenvolver detalhadamente o destino de cada um dos personagens, concluindo sua narrativa de uma forma bem amarrada. Analisando todo o contexto envolvendo a série, considero que foi um bom jeito de encerrar a trama.

Considerações finais
No decorrer de suas três temporadas, See buscou construir um mundo diferente daquele que estamos acostumados, colocando os seus personagens para viver de um modo bastante antiquado. Quando Tormada conseguiu desenvolver explosivos, isso representou um forte fator de desequilíbrio em qualquer tipo de conflito, já que ninguém mais possuía tal tecnologia. A existência das bombas se torna o ponto central da história: se não era possível revidar de forma equivalente, Baba Voss, Tamacti Jun e os demais precisavam encontrar meios para lidar com esse tipo de arma. Enquanto cada vez mais pessoas estão nascendo com o dom da visão, as ações egoístas de alguns personagens mostram como muitas vezes o ser humano cria obstáculos para impedir o próprio progresso.
Tal como nos anos anteriores, a série criada por Steven Knight continua sendo refém do seu próprio universo e nos apresenta situações que parecem não fazer muito sentido. Em seu exército, Tormada conta com alguém que é capaz de sentir com precisão a presença de pessoas até mesmo em túneis subterrâneos, mas que, em outros momentos, não é capaz de identificar indivíduos que se aproximavam da área em que eles estavam instalados. Sem entrar muito nos detalhes, chama também a atenção a facilidade com que os personagens lidam com as bombas: se não fossem cegos, isso até poderia fazer sentido. Eles também utilizam toda uma estrutura militar que parece ter simplesmente surgido do nada. Por outro lado, See segue brilhando na fotografia e nos combates corpo a corpo. Nas atuações, Jason Momoa é novamente o maior destaque da atração.