Análise do jogo Planet of Lana

Em um dia aparentemente normal, Lana e sua irmã mais velha são surpreendidas quando vários objetos não identificados começam a cair no planeta em que vivem. Antes que pudessem pensar em fazer qualquer coisa, uma estranha máquina rapidamente se aproxima e captura a irmã de Lana. Assustada com tudo o que havia acabado de presenciar, a protagonista retorna para o vilarejo em que mora e descobre que as máquinas invasoras já haviam tomado conta do lugar e capturado outras pessoas. Sentindo-se incapaz diante da ameaça que havia se instaurado, a personagem decide deixar a área.
Enquanto percorre paisagens no meio da floresta e lida com a vida selvagem, a protagonista acaba se deparando com uma pequena criatura preta presa dentro de uma caixa. Após acionar um interruptor próximo e libertar o animalzinho, chamado Mui, ele passa a acompanhar Lana em cada um dos seus passos. Mais do que apenas fazer companhia, Mui possui habilidades que se mostram extremamente úteis durante a jornada. É a partir desse panorama que Planet of Lana, título de estreia do estúdio sueco Wishfully, se desenvolve e nos entrega uma experiência de plataforma cinematográfica muito agradável de se acompanhar.
Ao longo do jogo, assumimos o controle de Lana e também somos capazes de dar alguns comandos para Mui. O animalzinho é muito ágil e consegue escalar com facilidade estruturas altas, podendo, por exemplo, abaixar uma corda para que sua parceira possa subir. Sua presença é capaz de provocar alterações no ambiente, mostrando que ele tem algum tipo de ligação especial com aquele mundo. Em razão do seu tamanho, Mui consegue entrar em locais pequenos, mas, por outro lado, não sabe nadar e, por ser leve, pode facilmente ser levado pelo vento. Quando há esses tipos de obstáculos pelo caminho, é necessário localizar um galho de árvore para fazer a sua travessia pela água e encontrar maneiras de interromper o fluxo de vento.
A jogabilidade é relativamente simples: além de se deslocar para a direita ou esquerda, Lana é capaz de pular, subir em estruturas baixas, agachar, interagir com objetos, nadar e utilizar cordas para alcançar pontos mais altos. A personagem também pode determinar que Mui pare onde estiver, que retorne até ela ou que vá até um ponto específico do ambiente dentro de um certo raio. Se ele estiver perto de um interruptor, por exemplo, é possível dar um comando para que o animal faça o acionamento. Mui ainda consegue controlar certas espécies de animais, criando algumas possibilidades interessantes. No geral, as mecânicas de gameplay funcionam bem.

O uso em conjunto dos dois personagens é essencial para conseguir avançar e, conforme vamos progredindo, somos apresentados a novos tipos de quebra-cabeças. Como a maioria pode ser resolvida com relativa facilidade, na base de tentativa e erro, houve poucos momentos em que tive que parar e refletir no que precisava ser feito. Uma parcela pequena dos desafios exige que o jogador busque respostas nos ambientes, e foram exatamente esses que mais me divertiram e proporcionaram uma sensação de satisfação em desvendá-los. Inevitavelmente, mortes irão acontecer, mas nada ao ponto de tornar a aventura frustrante.
Pelo caminho, em várias ocasiões os dois personagens se deparam com máquinas fazendo vigilância, exigindo a execução de ações furtivas. Se não houver como se proteger ou esconder, caso Mui ou Lana sejam avistados, a morte é uma certeza. Esses trechos geralmente exigem que Lana fique agachada na grama alta esperando o momento adequado para se locomover e que Mui seja utilizado para chamar a atenção dos robôs vigilantes. Em um ponto avançado do game, desbloqueamos a possibilidade de assumir o controle de algumas dessas máquinas, fazendo com que elas deixem de ser uma ameaça e passem a fazer parte do processo de resolução dos puzzles.
Planet of Lana transmite sua história inteiramente por intermédio de imagens e sons. Os personagens possuem uma língua própria e, como não há textos – exceto para ensinar os comandos da jogabilidade -, cabe ao jogador compreender o que está acontecendo através do que Mui e Lana estão vivenciando. A narrativa é complementada por meio de um conjunto de peças existentes em dez templos que, quando reunidas, formam um mosaico que fornece um contexto adicional ao enredo. Esses templos estão escondidos pelas fases e funcionam como o único tipo de coletável, uma adição interessante para um jogo estritamente linear.
Visualmente, Planet of Lana me encantou. Apresentando gráficos desenhados à mão, somos introduzidos a ambientes belíssimos e cuidadosamente construídos. O jogo apresenta alguns momentos contemplativos, ocasiões em que a parte gráfica fica ainda mais evidente. Enquanto Inside e Limbo possuem uma pegada sombria, o título do Wishfully Studios é colorido e vibrante. É como se o planeta rejeitasse a interferência das máquinas invasoras, servindo de combustível para a protagonista seguir adiante com seu propósito. A trilha sonora complementa magistralmente a experiência, assim como os demais efeitos sonoros, algo fundamental dentro da proposta criada. Em jogos como esse, onde não há elementos textuais, a sonoplastia assume um papel ainda maior, exercendo uma função primordial para conectar o jogador à história.
Lançado originalmente em 2023, Planet of Lana está disponível para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series, Android e iOS. Esta análise foi feita com base na versão de PC.
Especificações do computador utilizado para a análise: Ryzen 7 5700X, RTX 3060 12 GB, 32 GB de memória RAM DDR4 3200Mhz.

Considerações finais
Proporcionando uma experiência audiovisual encantadora, Planet of Lana conta com mecânicas de plataforma e puzzles simples e que funcionam bem durante toda a aventura. Sem apresentar desafios complexos, trata-se de um jogo para apreciar a jornada, com momentos contemplativos e emocionantes, fruto de uma história inteiramente contada sem fazer uso de nenhuma linha de texto.
Podendo ser concluído em aproximadamente cinco horas, Planet of Lana é um bom exemplo de que nem todo jogo precisa ser complexo, revolucionário e demasiadamente longo, contanto que seja capaz de executar bem aquilo a que se propõe. É um ótimo game para quem está em busca de uma jogatina descompromissada e leve.