Análise da série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (2ª temporada)

Atenção! O texto a seguir contém spoilers da primeira temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder.

Depois de passar anos tentando localizar Sauron, mal sabia Galadriel (Morfydd Clark) que seu alvo estava mais perto do que ela esperava. A revelação de que Halbrand (Charlie Vickers) é o Senhor Sombrio pegou a guerreira de surpresa e acendeu um alerta na Terra Média. Com a luz dos Eldar esmorecendo, fato que ameaça a imortalidade dos elfos, todos os povos também passam a correr risco caso o alto-rei Gil-galad (Benjamin Walker) e seus súditos sejam obrigados a voltar para Valinor. Para tentar contornar essas questões e se preparar para lidar com os desafios que vêm pela frente, o renomado ferreiro élfico Celebrimbor (Charles Edwards) forjou três anéis de poder com o pedaço de mithril que o príncipe Durin IV (Owain Arthur) deu a Elrond (Robert Aramayo).

A segunda temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder inicia aprofundando o passado de Sauron, mostrando como ele assumiu a sua forma atual. Nesse processo, descobrimos o que Adar (Sam Hazeldine) fez contra o feiticeiro e o motivo pelo qual o Senhor Sombrio foi confundido com o rei das Terras do Sul. Agora que teve sua identidade revelada, Sauron não perde tempo e vai atrás de Celebrimbor para que o ferreiro forje mais anéis: sete para os anãos e nove para os homens. Embora Celebrimbor demonstre certa resistência, ele não é capaz de se opor aos poderosos poderes de Sauron. A estadia do feiticeiro em Eregion nos dá uma pequena amostra do que ele é capaz de fazer e por que ele é tão temido.

A revelação de que Sauron esteve tão próximo pega os elfos de surpresa e acende um alerta entre eles. Com o ressurgimento da ameaça na Terra Média, os três anéis podem ser vitais para a derrota do inimigo, mas Elrond (Robert Aramayo) não está certo disso e se mostra bastante cético quanto à utilização dos objetos por seus compatriotas. Como ele é minoria e diante da ausência de outras opções viáveis, no decorrer da segunda temporada temos uma pequena ideia do poder dos anéis e de como eles podem ser importantes no futuro. Mesmo podendo fazer uso dessa nova ferramenta, os elfos enfrentam muitas dificuldades, deixando claro que a batalha para derrotar Sauron não será fácil.

Um personagem que acaba ganhando maior destaque em decorrência das novas circunstâncias é Adar. Com o retorno do Senhor Sombrio, tudo o que ele construiu está sob ameaça; afinal, os orcs acreditam que Sauron está morto. Com sua liderança em risco, Adar chega até mesmo a costurar um acordo com Galadriel pelo fato de haver um inimigo em comum entre eles, mas, como já era de se esperar, as coisas não seriam tão simples assim. Junto com os núcleos dos elfos e o de Sauron, considero o arco narrativo de Adar como um dos mais interessantes da temporada. O personagem sabe que tem muito a perder, mesmo que isso signifique sacrificar uma parcela considerável dos seus orcs em uma guerra cujo resultado é completamente incerto.

Os anãos enfrentam um grande desafio quando um terremoto, desencadeado pela erupção de um vulcão, provoca o bloqueio das entradas de luz de Khazad-dûm, afetando as plantações existentes no local. Quando as soluções tradicionais não funcionam, fica claro que a situação era bastante complexa. Ao receber as joias forjadas por Sauron e Celebrimbor, o rei Durin III (Peter Mullan) resolve fazer uso de um dos anéis e consegue encontrar uma forma de desobstruir as entradas de luz. Acontece que o anel também torna o rei extremamente ganancioso, gerando desdobramentos interessantes ao longo dos capítulos.

Temos ainda outros arcos narrativos que não têm conexão direta com a trama principal. Em Númenor, após a morte de seu pai, a rainha regente Míriel (Cynthia Addai-Robinson) e seus apoiadores enfrentam contratempos e conspirações no processo de sucessão. Tendo sido dado como morto, o fato de Isildur (Maxim Baldry) estar vivo acaba sendo uma surpresa; enquanto tenta encontrar uma forma de voltar a Númenor, o caminho de Isildur se cruza com o de Arondir (Ismael Cruz Córdova), Theo (Tyroe Muhafidin) e alguns homens selvagens. Por fim, o Estranho (Daniel Weyman), com o auxílio de Nori (Markella Kavenagh) e Papoula (Megan Richards), segue tentando descobrir qual é o seu propósito. Dentre esses três núcleos, aquele que envolve o Estranho acaba tendo um destaque maior, já que no final da temporada descobrimos a sua identidade, embora haja um desenvolvimento mais lento do que o desejado. As outras histórias podem até ter um ou outro momento marcante, mas não passam disso.

Considerações finais

Se a temporada de estreia de O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder sofreu com a falta de ritmo, esse problema foi amenizado no segundo ano da série. A narrativa como um todo se mostra mais interessante e com uma melhor progressão, todavia, ainda há problemas com alguns núcleos da história. A ideia claramente era explorar a diversidade dos povos que habitam a Terra Média, no entanto, parcela das subtramas não se mostra tão interessante quanto o enredo principal, cujo principal atrativo é a presença de Sauron e as ações dos elfos e de Adar para tentar impedi-lo.

A atração do Prime Video segue se destacando pela ambientação, figurinos, efeitos especiais e caracterização dos personagens. Os atores também desempenham boas atuações, dentre as quais destaco os trabalhos de Charlie Vickers e Charles Edwards, que compartilham vários momentos de tela. Sauron por si só é uma figura complexa de se interpretar, enquanto Celebrimbor se vê sufocado por manipulações e, mais na reta final, tem momentos com uma alta carga emocional. Mesmo que alguns problemas ainda persistam, a segunda temporada consegue apresentar uma evolução quando olhamos para a primeira.

★★★★☆Ótimo
Criador e editor do Portal E7, Herbert é advogado, amante de games e séries. Gamertag/ID: "HerbertVFV".
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