Carcereiros traz relatos dos mais de 20 anos em que o médico Drauzio Varella atuou como voluntário no sistema penitenciário do Estado de São Paulo. No livro podemos conhecer um pouco do dia-a-dia de um presídio, universo desconhecido pela grande maioria das pessoas.

O livro é dividido em vários capítulos, sendo apresentado em cada um deles uma história diferente. Apesar do foco central ser contar a rotina dos carcereiros, também conhecidos como agentes penitenciários, nem todas as histórias apresentadas pelo autor se passam dentro de uma penitenciária. Um dos capítulos apresenta uma narrativa um tanto engraçada, quebrando um pouco o clima de tensão do livro.

Logo no segundo capítulo, onde revela que desde cedo foi fascinado por cadeias, Drauzio informa ao leitor que por razões éticas e por necessidade de proteger a identidade das pessoas que ainda trabalham no sistema penitenciário, o nome de alguns dos personagens foram alterados.

Em meio ao relato de histórias reais, Drauzio também tece críticas ao sistema penitenciário e a sociedade em geral: enquanto muitos questionam porque o trabalho não é obrigatório nas cadeias, pouquíssimas são as empresas que estão dispostas a montarem oficinas nas penitenciárias, reflexo de uma sociedade que aparentemente esqueceu o que está por trás das paredes dos presídios.

Dentre os vários relatos apresentados no livro, o autor destaca o surgimento das facções criminosas, leis e códigos de condutas dentro dos presídios, após o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. Apesar de ser bem breve, Drauzio destaca o autoritarismo da polícia em tentar resolver uma situação que poderia ter sido controlada pelos carcereiros, que diariamente se veem obrigados a fazer negociação com os presidiários.

Estamos longe de acabar com a tortura no país, mesmo nas cadeias paulistas, onde a vigilância é mais severa. Como saber o que acontece durante a madrugada num canto qualquer de um distrito da periferia ou num presídio que a a sociedade nem sabe que existe?

Considerações finais
Mais do que um livro, Carcereiros é um relato de fatos reais, mostrando a difícil realidade dos presídios brasileiros e a importância que os agentes penitenciários desempenham no sistema penitenciário: eles são responsáveis por controlar a entrada e saída de pessoas, manter a harmonia dentro das penitenciárias, além de sempre tentarem prever acontecimentos inusitados.

Mesmo abordando um tema pesado, Carcereiros oferece uma leitura leve, graças a forma como o autor apresenta as histórias para o leitor. Acima de tudo, o livro propõe importantes reflexões sociais sobre os presídios brasileiros. É uma boa leitura para conhecermos um ambiente que a maioria da população brasileira acaba menosprezando.

Nota
★★★★☆ - 4  - Ótimo